quarta-feira, agosto 30, 2006

Vermelho Trêmulo...



Foto: Capitão Pio.

Tanto faz se faz tanto frio.
Ou se, lá fora,
a chuva obsessiva percorre seus caminhos verticais
e desliza pelo telhado pra nos espreitar pelas vidraças.
Aqui dentro, onde danço acesa
_(me)chamas_
e palavras líquidas encharcam nossos corpos de saliva
nessa eterna brincadeira que inventamos
de apagar labaredas com a língua...
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(Marla de Queiroz)

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terça-feira, agosto 29, 2006

Desordem


Foto: Pedro Moreita

A desordem é completa. O tempo arrancou qualquer certeza e a inquietação é extrema.
Todos os sentimentos confortáveis do passado estão beirando o precipício e nada mais
sacia como antes. Tudo nos condena ao risco, ao desconhecido.
Tudo se rendeu ao caos, ao espontâneo...

Sim, finalmente, vamos começar a nos divertir.
(Marla de Queiroz)
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P.S.: Para Thaís Amormino (amorMEU), minha Borboleta de asas Patchwork, Diva do Borogodó, Personificação da Sofisticação e do Desapego...Coisa mais linda da minha vida, aquela que um dia vai me tirar da cafonice....hahahaha...Na virada do seu setênio, virginiana nata, nada menos que TUDO de mais meticulosamente fantástico pra ti...Certamente vamos trilhar juntas de mãos dadas nossas histórias, delícias, vitórias...O AMOR DO TODO! SEMPRE!!!

domingo, agosto 27, 2006

Da transmutação...ou adaptando Drummond.

Foto:isah

Eu não sabia, mas morava no seu mais profundo segredo
como alguém que rouba uma história que já tem dono.

Tinha cinco pedras na mão quando foi ao meu encontro...
Mas no meio do caminho, tinha uma flor.

(Marla de Queiroz)

sábado, agosto 26, 2006

Sem assunto...



Foto:isah

_Quando você disse que me amava, quis dizer o quê?
_ Que eu estava ofegante.

(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 25, 2006

Da sedução...



Foto: isah

Bolinei, bolinei, tentei seduzir e nada...
Do texto que não vingou, ficou a descoberta:
a palavra orgástica não admite tutelas.

(Marla de Queiroz)




quinta-feira, agosto 24, 2006

Pequeno delito



Foto:isah

_Você roubou isso!!!
_Sim, roubei.
_Mas isto é um beijo! DEVOLVA JÁ!!!!!!!!!!!

(Marla de Queiroz)
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quarta-feira, agosto 23, 2006

Pra você.


Foto: isah

Eu também não queria que terminasse assim....Das sementes que plantamos nasceu esse girassol nublado...E quando as flores choram, as nuvens se assustam num grito de trovões...E eu sempre preferi o céu riscado por estrelas cadentes a relâmpagos...

(Então sejamos aquela ausência no outro que não dói. E um pedaço de lembrança boa...E mais um aprendizado, pra aumentar o pedaço.Porque minha memória só funciona pra enfeitar, nunca pra denegrir uma pessoa)

Marla de Queiroz
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P.S.: Faz de mim, em tua memória, aquilo que lhe flor mais conveniente...Mas lembre sempre, por favor,que a simplicidade me custou tudo o que eu tinha.
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terça-feira, agosto 22, 2006

Um girassol nublado...ou as marlaridas também adoecem.


Foto:Rubem Graça

Cuida de mim, meu amor...Que estou frágil e já não me seguro na alegria da saúde, estou completamente debilitada. Meu corpo inteiro dói e arde em febres pedindo os cuidados que você não achou espaço pra me dar ainda.
Cuida de mim, que eu te faço meu tutor, meu condutor nesta Dança do Universo que eu tanto divulgo porque o Outro me ensinou....Cuida de mim, venha me convencer que engolir um comprimido imensamente redondo é necessário de 8h em 8h, porque você me quer ver novamente com as bochechas coradas e com o olhar vivo depois da tua sopa de beterrabas...Cuida de mim porque estou disponível e mortal, sem a menor das minhas arrogâncias e defesas já que todo meu corpo se resume em espirros e calafrios.....e isso é tão definitivo agora. Porque essa minha febre é um desejo desabafando...
Cuida de mim e aproveita pra ser eterno nesse instante em que eu me dou assim, esse fiapo de gente, numa dependência que de outra forma você jamais conheceria...

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Sobre algumas músicas

Foto:isah

Porque algumas músicas apertam meu coração numa dorzinha boa, sabe? Aquela saudade de alguma coisa, alguém ou algum lugar que você não conhece?

E ainda este solo de gaita : instrumento dos mais solitários que conheço e que quando faz um solo, assola meu coração num mergulho longe, fundo, num desconhecido tão familiar.

Aquela solitudezinha que me faz cruzar os braços de olhos fechados pra abraçar a mim mesma. Sem tristeza.

O corpo todo reagindo , sob o efeito da harmonia.Um monte de coisas borbulhando por dentro.
E os olhos fechados visualizando as notas numa partitura dançante.

Tudo é movimento e entrega.

E eu caso tão perfeitamente com a música, que quase me transformo num instrumento.
Porque algumas músicas, tiram nossa alma pra dançar.

(P.S.: né, Cassinha?!)

(P.S.2: Escutando Stevie Wonder e Marvin Gaye e etc e tal que minha Borboleta Verde gravou pra mim)

Marla de Queiroz

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sábado, agosto 19, 2006

SEDE



Foto: Margarida

Sedenta

como uma vitória-régia abandonada na areia.

(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Reflexõs sobre a amizade...ou o resto de um texto que estava muito longo.

(Foi preciso que eu estivesse aberta pro que pudesse doer ou fazer rir. E lembrasse da criatividade que oferece diversas mil outras possibilidades. Foi preciso que eu soubesse seduzir pra poder falar de coisas sérias sem nenhuma sensualidade. Foi preciso, mais do que qualquer coisa, que eu me achasse merecedora da alegria e do amor que estavam disponíveis. Porque ser feliz é um aprendizado).


Eu nunca fiz amigos tentando ser interessante. Todos os amigos mais íntimos que fiz foi porque me interessei verdadeiramente por eles. Me interessei pelo que doía, pelo que o fazia gargalhar, pela forma como banalizava histórias tristes, pelo jeito com que dramatizava fatos aparentemente banais...Todo mundo quando descobre certa receptividade no outro abre seu coração com tamanha generosidade, que fica difícil não fazer o mesmo. Porque a escolha é sempre nossa. A gente se abre, o outro percebe e se abre simultaneamente_ sempre nessa expectativa do encontro. E quando flui, tudo nos parece mágico.Mas depois vem o que fazemos com tanta informação, com aquela confissão, com aquele momento de entrega. É isso que vai solidificar o que quer que tenha começado. E quando isso não é um dom, é um exercício.

Sempre tenho a impressão de que meus amigos têm talento para sê-los. Que são pessoas que nasceram pra essa troca incrível, com esse jeito maravilhoso de encher de sagrado qualquer encontro. Sempre lembro que se fulano (que para mim vive em outro patamar espiritual, emocional, intelectual, etc) me es-colheu, é meu termômetro pra pensar: “vá em frente, você está vibrando na energia certa”!...Isso me faz acreditar mais em mim e a ter vontade de me melhorar diariamente porque sei que o quer que eu faça ou fale, nunca será o suficiente para parar de investir numa relação: o ser humano é dinâmico, está em constante processo de mutação e carecendo de novas trocas.

Com minhas amizades aprendo, inclusive, a me relacionar afetivamente com pessoas mais saudáveis quando reflito: “beltrano, (por quem estou fortemente atraída), seria alguém que eu indicaria para minha melhor amiga ou uma filha?”Quando a resposta é NÃO! O que me fez pensar que seria o melhor para mim???É o tipo de amor que não me deixa estagnar na consciência, mas me leva à ação.

Tudo que eu sou eu devo ao que fui, à minha criação, ao que me doeu longamente, às alegrias que tive, às pessoas que conviveram comigo,aos valores que me passaram e ao que transcendi. Tenho tanta consciência da importância do outro na minha vida que digo que sou viciada em gente: com seus problemas, suas virtudes, sua simplicidade, ou complexidade, com sua disposição pro amor ou a sua dificuldade de. Porque eu sempre vou encontrar casa numa característica, qualidade ou defeito do outro, nem que seja pra rejeitar naquele momento e me sentir superior ou inferior. Tudo é instrumento para que eu me trabalhe quando me deixo vir à tona através das projeções que faço.

Não sou uma pessoa fácil, embora quem me veja, ache que sim. Às vezes me alimento das belezas que as pessoas me dão ou me desprezo quando me rejeitam.Sou exagerada em tudo:oscilo demais, fico melancólica demais, alegre demais, agressiva demais, doce demais, carente ao extremo, independente além da conta. Mas sempre tento estar atenta a minha responsabilidade, a ter o cuidado de dizer ao outro que o processo é meu, o problema é meu ...que ele me trouxe à tona e que às vezes no primeiro impacto isso pode ser assustador. Porque a honestidade sempre salvou as minhas relações e me permitiu ser amada sendo quem eu estava, porque somos o que estamos.

Depois descobri que a gente se desilude com amigos sim, mas que ninguém tem tanta força pra me ferir. Só terá se eu der a ele esse poder. E que quando abraço uma pessoa inteira( porque eu, sinceramente, não consigo abraçar sem entrega), sei que estou trazendo pra minha vida uma pessoa com tudo o que ela tem dentro: seu passado e tudo o mais que a formou além da essência. E acredito tanto na minha intuição e na minha sensibilidade que confio que sempre haverá a troca_ de um jeito torto, truncado ou fluido_ eu só dependo da minha criatividade: com ela eu escolho se usarei meus vazios e minhas decepções pra me lamentar ou como espaços que eu tenho pra crescer ou, ainda, se saberei aceitar amor e confiar simplesmente.

É por isso que críticas podem até me baquear, mas não me desnorteiam e que elogios me nutrem, mas não me envaidecem (mais)...

Porque nunca fiz amigos tentando ser interessante...nem bebendo leite....hahahahahahaha (brincadeira das mais tolas num texto sério como este, mas eu não resisti! Porque é verdade!hahahaha)

Marla de Queiroz

quarta-feira, agosto 16, 2006

Violetras


Foto: JRenato

Ao som de violões e vozes
dançam violentas
_as letras_
de violáceo vinho
e violentos roxos
brotam
doces
VIOLETRAS
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(Marla de Queiroz)

terça-feira, agosto 15, 2006

Fase Nova...Ou a vida me revelando todas as suas possibilidades de cura.


Com Licença (poética), eu vou à luta!
Quero que a vida caiba inteirinha no meu sol-riso!
(Porque, segundo o André meu amigo blasè, eu não rio: eu gargalho rios!)
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Seguindo em frente...



Foto: Tatas del GOSTs

Então eu sigo em frente deixando pra trás Brasília quase severa e grave, destituída de sensualidade e lascívia, aconchegando timidamente com seu toque seco e breve.
Brasília quase nua mas cheia de pudor, povoada por espaços, seus caminhos habitados por folhas e ventos e aquela água tão doce...E intrigando com um mistério muito seu de ampliar o céu, exagerar o tamanho da Lua,abarrotar as cores do pôr-do-sol de tons quentes...Pra aprender a seduzir.

As pessoas, singulares, intimamente encontradas.

E, depois, ele...

(Marla de Queiroz)
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*
*P.S.: Dias incríveis, alegrias e encontros inenarráveis...Ainda digerindo, sentindo, organizando...Ainda rindo sozinha...
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segunda-feira, agosto 14, 2006

" Eu vejo flores em você"



Foto: João Estêvão A. Freitas

Copos-de-leite
Taças-de-vinho
Cravos-de-vidro
Cacos-de-lírios
Flor-do-cerrado
E um amor-perfeitinho...
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(Marla de Queiroz)

quinta-feira, agosto 10, 2006

Brasília.


Foto: Nelson Faria

Ei, Meu povo!

Estou recarregando minhas energias em Brasília feliz da vida, linda, loira, louca, japonesa e motoqueira!!!
Saudades demais dessas bandas, dos meus amigos mais íntimos, do meu garçon predileto.
Os dias estão lindos, a Lua Cheia,o clima ameno,a cidade sonolenta, serena...
O pôr-do-sol degradê...
MEUS IPÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pode ser que eu suma daqui por esses dias. Pode ser que não. De qualquer forma, vcs já sabem o motivo.
Eu sei que muitos leitores do meu blog moram aqui. Eu gostaria sinceramente de conhecê-los pessoalmente, mas não tenho o contato de todos. Ficarei pouquíssimo tempo, mas se puderem deixar um telefone, um e-mail, enfim, qualquer contato, ligo ou escrevo e organizo alguma coisa (inclusive, hoje tem!Me escrevam que eu digo onde é).
Vcs topam???
Meu e-mail pra contato: marlegria@gmail.com

Beijos, beijos.

Marla de Queiroz, a Flor do Cerrado ( sendo regada por água que passarinho não bebe!)
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terça-feira, agosto 08, 2006

COM-JUNÇÕES... **poema inacabado**


Foto: Tatas del GOSTs

COM-JUNÇÕES


Ainda...
O mesmo senão do quando
Sempre um talvez no tanto
Sempre um por quê no quanto.

Quando...
Da poesia já se sorveu tanto
Há latência da carne enquanto.

Portanto...
Sempre que o começo é o mesmo fim
Quase nunca é tanto
Nenhum tempo é quando.

Contudo...
A febre arde em mim:
Eminência da saudade_ única presença_
Essa ausência acumulada
No entanto.

Embora...
Tudo indique a ferida finda
Há que se cuidar das madrugadas
Que a trazem na insônia
Ainda.

Mas...
Conectados ou conectivos
Sempre surgem conjunções
pra nos dizer que há mais...
(Aliás)

Marla de Queiroz

*(aguardando a parceria do Marcão...)


segunda-feira, agosto 07, 2006

Bestagens...



Foto: Tatas del GOSts

Ontem foi meu dia de ser besta. Dessas que olham as coisas com os olhos ensolarados de tanta ingenuidade.
E que comem o milho com pressa pra chupar a aguiinha salgada do sabugo, sorrindo com os dentes amarelos da pipoca não vingada.
Foi meu dia de ser besta e sair descombinada de estampados e listras, incrementada além do meu bom-gosto, ampliada na falta de sensos.
Foi meu dia de gargalhar frouxo das coisas que não entendia e de usar a palavra ininteligível pra exagerar o que tinha de engraçado.
Passei o dia inteiro sendo toda besta, observando o tempo com desleixo
Sem me preocupar se a chuva engordou ou se o sol está envelhecendo...


(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 04, 2006

Para um algOZ...ou da Decepção...ou somente um texto muito longo.



Foto: Tatas del GOSTs

Decepção é uma palavra estéril pra mim...até que me aconteça.Porque às vezes ela nos faz desvalorizar uma pessoa inteira por causa de uma única atitude.E quando se é tomado pelo emocional, dificilmente se consegue refletir, quem dirá por esse ângulo.

Eu conheço todas as fases de uma decepção: raiva, mágoa, tristeza, melancolia e depois um tipo de amor ferido escondido embaixo dessas quatro pedras. Quando você se permite viver a coisa toda, ela vai sendo descascada como uma cebola desnudada de suas peles até que só reste a libertação. Não digo a libertação da indiferença, aí ainda restaria mágoa, defesa...É mais profundo, é mais interessante...É a compreensão. Você, depois de se permitir o luto total, consegue enxergar que o outro não é mau, que você não é vítima, que tudo não passou de um triste encontro desencontrado, cheio de conseqüências...Que ele caberia direitinho na história de um outro alguém, não na sua. Mas escolher lidar com isso de uma maneira mais madura, é o único bem que se pode fazer, não pelo o outro, mas por si próprio...E a conseqüência disto, acaba sendo um bem duplo.

Depois que aprendi a ser água, a chorar como a chuva só pelo profundo respeito que tenho por mim até me desvencilhar da angústia, aprendi outras coisas e recebi benefícios que vêm junto...Sei que muitas histórias desagradáveis se repetem: não acredito que seja porque o mundo “esteja perdido”, mas porque EU, dentro de tantas outras possibilidades, devo estar condicionada a viver a mesma história_ primeiro passo que preciso dar adiante. Depois, seja lá o que o outro tenha feito, ele o fez porque ME permiti que o fizesse, ou ainda, se é algo de sua índole, “onde EU estava com a cabeça que com minha sensibilidade não percebi a energia estranha em que EU estava vibrando pra atrair uma figura que fosse capaz de.? Ou, por que percebi e aceitei que viesse? Que fantasmas meus esse outro alimenta?” Outro passo adiante... E assim, vou compondo caminhos mais ensolarados.

O mais bonito e mais profundo é quando você consegue se colocar passivamente, sinceramente no lugar do outro, esquecendo suas dores e seu orgulho por um momento pra tentar entender que, ele simplesmente pode estar condicionado às dificuldades, ao desamparo, ao desculpar-se, a não ser amado........Que ele deu exatamente o que tinha pra dar, que fez a única coisa que sabia fazer e que, ainda, deve sofrer mais do que qualquer pessoa que ele fira, porque não consegue amparar essa criança interna assustada que faz essa bagunça externa só pra chamar a atenção.

E sabe o que é mais difícil de aceitar? É que nada me garante que se estivéssemos em lados opostos, que eu não faria a MESMA coisa.

Eu detesto justificar os erros de alguém, até porque isto seria uma forma de me sentir superior quando julgo saber o que o outro sentiu ou pensou quando agiu.....é como se eu fosse tão sábia, que se o mundo inteiro falhasse eu teria as respostas...........(Mas eu ainda passo dias inteiros chorando por mim até perceber num momento de luz que, tudo bem, posso fazer aquilo, mas estou olhando só pro meu umbigo... E que não há nada mais importante naquela hora que meu umbigo...não há culpas, eu me permito e mereço, porque sou a que mais me aturo e que daquele momento vai vingar algum fruto bom_ e isso é um compromisso que assumo na hora da permissão que me dou.)

Eu descobri que, ao contrário de outras coisas, a melancolia não é uma escolha minha e que quando ela vem me estraçalha por dentro, me deixa em frangalhos...”Mas o que eu tenho a aprender com isso???” Era a pergunta que me faltava.........Eu tinha que exercitar a minha humildade e aprender a pedir AJUDA...Eu nunca soube pedir ajuda, eu só sabia entrar em depressão!!! Entrar em depressão é dizer ao mundo: “Não, nada do que se faça vai adiantar, porque eu não tenho mais perspectivas, não acredito em nada e não confio em ninguém”...E pedindo ajuda você permite ao outro semear um terreno árido, você dá votos de confiança, você se desnuda na sua mais íntima fragilidade, se expõe apavorado e inútil, desamparado e mortal e precisado daquele colo dele, que pode ser o único remédio pro seu veneno fatal. É onde a coisa toda começa a vibrar numa outra luz.............é quando a sombra some....ou se suaviza....ou assusta menos, porque o outro se revela também, na sua mais profunda disposição/ exposição pra ser útil a si mesmo neste reflexo que vem de nós.

Eu comecei o texto falando de uma decepção e continuei escrevendo num fôlego só, cheia de digressões .......Agora que ia concluir, descobri que quero mesmo é falar do amor:

Sabe quando você conhece o amor por si próprio? Quando sabe que não importa o que lhe façam porque você governa, escolhe, conduz a sua vida? Sabe quando você sabe que uma pessoa se sente bem ao seu lado só porque você sorri sinceramente? Quando você atrai muita gente saudável , dessas que sabem que merecem ser felizes integralmente e se trabalham , se melhoram a cada dia e que não economizam entregas? E que quando estão próximas, trazem à tona o que você tem de mais interessante? Pois é..........eu sei tanto que imagino que alguém que decepcione voluntaria ou involuntariamente por vaidade ou por maldade ou deficiências, certamente o fez por uma condição penosa: de não o saber.

O que dói mesmo nessas circunstâncias não é só o que foi causado.........é quando você percebe que a pessoa está vivendo uma escolha que ela fez, que ela está mais disposta a lamentar e a se vingar do mundo a simplesmente perceber a dor profunda que está guardada embaixo de tanta raiva............Que não podemos amaldiçoar a chuva, o vento, o sol: tudo vem ao seu tempo e com seu mais exato porquê...E que talvez não nos alimente naquela nossa expectativa, mas que, em algum lugar,alguém vai beber daquela água, daquela luz, daquilo que pode parecer um grande estrago pra gente, mas que é necessário pra beneficiar outrem..............Tudo intercalado, oscilando, necessário e UNO...

Eu ia falar de uma decepção.......mas ela se dissipou aqui, agora.....Conheço melhor o AMOR!

( e acho que nunca me expus tanto aqui...)

Eis que a vida é mais bonita do que parece e "de tão bobas tristezas, a gente se ria, nos friinho de entrechuvas..."
(Porque Guimarães me salva... Sempre...como quem me lê!)

P.S.: Sempre que algo desagradável me acontece que envolva alguém, lembro de uma frase que ouvi certa vez: " Ninguém está contra mim, todos estão a favor de si mesmos..."

P.S.2: Parece que tirei a semana pra desabafar aqui...hahahahahahaha

P.S3: Hoje é sexy-ta-feira e vai ter sooooolllllllllll!!!!!!!!!!!!!!

Marla de Queiroz

***

quinta-feira, agosto 03, 2006

ESTIO



A saudade é terreno fértil e a solidão, um baldio.
Te espero depois da chuva
num tempo de estio
com a fome do cio.
*
*
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(Marla de Queiroz)
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quarta-feira, agosto 02, 2006

De alguns afagos


"Marlalinda, desculpa a ausência, minha florzinha de laranjeira.
Agora que vi o SOS na areia, passei na tua casa e vi umas páginas ainda úmidas.
Ah, querida.
É essa coisa de a gente ser além,
é isso de ser tudo
e também
vazante não contendo os segredos que precipitam cores por todos os lados.
Menina de dentro, colorida, morre não.
Fecha em botão, suspira, abre em flor.
Madura, cai semente e floresce, sempre regada a um novo amor. Que vem, demora mas vem, às vezes basta esquecer e o tropeço fica inevitável.
-Ai!...Não olha por onde anda?
-Desculpa, meu Deus, como não vi esta flor?
-Ah, se bem que...
-Tão linda a voz
...
É que inevitável é mesmo o amor.
Ah.
E o que tiver de ser não espera pela gente, será, será!

Uma estrela quente e todos os mimos que faltaram."


E essa estrela maravilhosa é a RAYANNE ...

Aproveito pra postar um trecho de um filme:

" Aprendi em Biologia:
Se semear muito fundo,
não esquenta o bastante.
Assim que emerge,
espalha as folhas e absorve o sol.
Se colhem a flor
ela produz um botão
que dará semente..."

( O Silêncio de Melinda)

P.S.: Obrigada a todos que me deram colo de um jeito ou de outro...




terça-feira, agosto 01, 2006

( In) permanência


Foto: Tatas del GOSTs
(...)

Você ficará...
Indiscreto e velado,
O meu mais secreto revelado
No poema apalavrado do sol-riso
em negritos das verdanas namorado.


Você ficará...
Fazendo dos seus rompantes meus repentes...
(Talvez, apenas)

Marla de Queiroz
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segunda-feira, julho 31, 2006

Uma Pétala


Foto: Tatas del Gosto

Você é um MARCO na minha vida, a síntese mais completa dos melhores adjetivos do AURÉLIO.
E eu sou uma MARLARIDA que brotou na sua AORTA...
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(Marla de Queiroz)
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domingo, julho 30, 2006

Palavras Líquidas...ou lágrimas minhas.


Foto:Maria Ivone Ferreira

"Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores de parto - e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica. Sem menina dentro de mim."

( Clarice Lispector_ quem mais???)

Meu travesseiro acordou molhado...Não era a chuva, eram as minhas despedidas dos "sentimentos antigos, já confortáveis"...Viver tem dias muito nublados quando a simples existência nos dói nos ossos. É como mergulhar num mar que não dá pé quando nem se sabe nadar... Não julgo, não culpo o mundo, antes trago a responsabilidade pra mim e digo: " o preço de uma alegria explodida no peito, é essa angústia sem um réu..."

Se não fosse a palavra, eu me contorceria inteira em cólicas existenciais...E quando acho que já foi o bastante, a vida chega aos borbotões e me diz que há mais...

Acordei sem uma menina dentro de mim. Antes ela tivesse me acordado com o choro mais sentido do mundo pedindo cuidado, atenção...Eu veria a ferida e faria um curativo. Ou tiraria o band-aid e usaria o bisturi...Mas é tão maior e tão silencioso! Às vezes não sei se aguento, às vezes acho que sim. Senão, o aprendizado seria só esse sufoco.

Eu preciso de ar puro...e de uma mirada sincera pro horizonte amplo mesmo que tudo fique embaçado pelas lágrimas que eu não escolhi, mas que me aconteceram.Você sabe do que falo.
E se eu me entregasse ao vôo? Mas sou flor, arraigada ao solo.
Preciso das suas asas.De você.
Me empresta uma mudança brusca? Tenho urgência!

Um choro de palavras líquidas é o que resta... Sem barulho.

( Quando acordei meu travesseiro estava molhado. Eram lágrimas brotadas do mais fundo de uma dor inconsciente, mas nítida. Tinha uma menina assustada no meu sonho. Tinha uma ferida aberta e muito susto.E um rio caudaloso de amargas águas. Depois veio a chuva, o colo, o violão musicando o poema, o vinho encorpado de sabor aveludado. E aquelas músicas todas cantadas com a veia do pescoço saltada.Quando acordei meu travesseiro estava molhado. Eram lágrimas. Muitas. Minhas.Acho que passei a noite regando meus sonhos)

Marla de Queiroz

E eis que ele ressurge: poético, confuso, determinado e fértil. Eis que ele ressurge tranqüilo e viril. E me planta um poema no colo.

Terreno

Se a terra é fértil
sua função é pasto.
Nasce um fruto-sorrisodo
terreno que é vasto.

As árvores emergem de cada broto...
Mas as sementes,
mesmo doentes,
viabilizam desgosto.

Se o caule vem à tona
quer respirar.
E quando num seio qualquer alimenta,
o pouco que inventa
consegue brotar.

A árvore sabe
quando insuficiente venta...
Mas cria e dispersa
a sombra e o vulto,
o calmo e o susto,
o vácuo e o ar.

(Marco Aurélio Guiotti_ o Marcão!)

sábado, julho 29, 2006

Da intensidade... (ou rima besta pra falar do que me arde)


Morri à míngua de excessos."

(Mário de Sá Carneiro)


Se eu não fosse tão intensa,
Eu não teria essa fome, essa urgência,
Não teria essa sede embrulhada numa emergência,
Me pedindo clemência.

Se eu não fosse tão intensa,
eu dormiria em paz uma noite inteira,
(talvez um pouco mais)
Sem me arder o corpo em febres e
desejos de inícios conjugais
Eu não surtaria de abstinências.

Ah, se eu não fosse tão intensa
Eu não devoraria com os olhos,
meu corpo não gritaria o desejo
Minha boca até negaria um beijo.

Se eu não fosse tão intensa,
Eu não umedeceria os lábios
numa prévia de aconchego
Não vibraria em ouro e dor
No anseio do beijo

Se eu não fosse tão intensa
Eu sempre teria um outro pretexto.
Eu me encaixaria em outro contexto....

Mas se eu não fosse tão intensa...
Eu não seria esse texto.

(Marla de Queiroz)




sexta-feira, julho 28, 2006

Da paisagem

Foto: Nino Mascardi

“Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o vôo da nuvem e a prisão do charco.Afinal, somos caçadores que a si mesmo se azagaiam. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara”.
(Mia Couto_ “Cada homem é uma raça”)


Ela sugeriu novos passos, outras andanças
Ele disse que os caminhos estavam exaustos.
Sugeriu uma nova semeadura
Ele interrompeu pra falar da nuvem magra que desconhece o seio da chuva;
Recusava-se a deitar sêmen sobre as entranhas do solo seco.
Sugeriu adubo.
Ele dissertou sobre a poeira que só fecunda o ar com o que irrita os olhos...

Então sugeriu um outro olhar, um pincel, uma tela, cores novas e uma outra borboleta pra pousar dentro da moldura de mau-gosto, da paisagem ressecada.
Ele acatou...Como se tivesse uma outra alternativa.

(E do solo ignorado colheu solidão: essa fruta oca que brota das sementes de oportunidades desperdiçadas).

Quanto a ela, seguiu voando... precisava de pólen.

Marla de Queiroz

quarta-feira, julho 26, 2006

PERFIL 2

Foto:Ugly

Capricorniana com ascendente em touro e a lua em escorpião.
Era pra ter os pés plantados na Terra mas a Água dessa tríade me fez ascender a Manoel de Barros, me enamorar por Rosa, traí-lo com Mia e Lispectorar qualquer delicadeza que venha da gravidade dos meus desejos.

(Sou um touro no sentido estrito da falta de razão. Capricórnio que se atira em precipícios. Escorpião que dispensa fogos e artifícios).

Já me deitei com Drummond e acordei com Schopenhauer. Idealizei meus príncipes e os deletei no primeiro capítulo pra me embriagar com um desnorteado plebeu. Já disse "adeus" no auge da minha paixão e me desesperei com o “até mais” daquele moço breve que eu não queria nem no sonho, mas que me pareceu tão mais definitivo quando o disse, que foi quem me rendeu a melhor metáfora.

Eu sei como devorar uma história .Diversas foram as vezes em que escrevi uma carta de amor catando elementos pro poema da despedida. E chorei por não sentir saudade quando escutei PECADO em espanhol, cantado por Caetano, com aquele solo de violoncelo que se parece tanto com uma história tragicamente desencontrada. Que eu esqueci.

(Nenhum final de relacionamento amoroso me deixou mais inquieta do que quando estive longe de casa e senti sono, fome ou frio... vezenquando eu minto quando escrevo!)

Mas alguma coisa em Vênus brilha em meus olhos com suavidade. E faz de mim casta dentro do enorme despudor que tenho... Porque
moro nos ventos, danço alegremente durante a mais assustadora tempestade, tenho medo de lagartixas,borboletas amarelas pousam em meu corpo quando encontram segurança, esqueço de regar minhas flores e sou conduzida, induzida e seduzida a viver e a escrever por esse paradoxo que fez casa em meu ser e que eu chamo do mais puro e irremediável amor.


(Mas não sei viver em doses homeopáticas: o calor só me penetra quando arde no que há de mais líquido em mim.)

Marla de Queiroz



terça-feira, julho 25, 2006

LIBIDO



Foto: Luiz Alberto de Almeida Freitas

(Como um novelo desenrolado
pela mão distraída
vou deslizando entre dedos
desfazendo-me em curvas e círculos
_ esparramada e macia_
seduzida pela superfície
que me prenderá num abraço).

Marla de Queiroz





segunda-feira, julho 24, 2006

Lascívia


Foto: Kevin Summer
Não vi o seu rosto
_ ele estava mergulhado entre as minhas coxas_
Não beijei sua boca
_ ela estava ocupada me beijando os lábios...
*
(Marla de Queiroz)
*
*
*

sexta-feira, julho 21, 2006

ECLIPSE



Foto: Paulo Serra

Quando eu sou aquele longo segundo aprisionado no seu olhar,
há um eclipse:
A fusão do sol do meu corpo com a sua pupila dilatada.
(Marla de Queiroz)

quinta-feira, julho 20, 2006

De como transformo a rotina em dias bonitos...

Foto: Daniel Camacho

Sei que o dia será bonito quando me proponho a acordar mais cedo e vou andando tranqüilamente para o trabalho ,participando da paisagem acordada pelos dourados do sol ameno do inverno_ eu me aventurando pelas ruas como quem passeia dentro de um quadro de Miró. Ou quando inauguro o meu dia chuvoso no ônibus lendo um poema do Manoel de Barros, sentindo ainda o cheiro de xampu nos cabelos do banho recém-tomado. E quando chego lá, mesmo meio enjoada daquilo tudo e faço aquela brincadeira que faz todo mundo rir pra descontrair, sei que o resto do dia vai ser mais bonito.

Na hora do almoço, daquela comida de sempre, quando resolvo que comeremos alguma coisa que esperamos pra comer aos domingos ou nos dias em que recebemos o salário, e tomamos uma tacinha de vinho escondido pra relembrar como o proibido moderado pode ser gostoso e que faz toda a diferença, a beleza se revela gratuita.

Se eu passar no sebo no final da tarde e ganhar 3 horas fuçando livros e perder 40 reais levando-os pra casa barganhando preços ou pré-datando um cheque, ou se eu encontrar aquela raridade do Guimarães Rosa recém-chegada que ainda nem colocaram preço e está em cima do balcão...será lindo, tão lindo.


Quando eu voltar pra casa, se eu me abandonar meia horinha na cama sem pensar em nada, olhando pro teto, sem tirar a roupa do trabalho, sem me preocupar com a arrumação do quarto ou qualquer coisa desse tipo só pra apertar o play daquele CD que já estava rolando antes de sair cedo, o refrão pela metade, escutando atentamente, sentindo cada acorde daquela musiquinha que penetra todos os ambientes da minha casa e da minha alma, sei que a beleza do resto do dia está garantida.

Depois tomar aquele banho demorado, usar o óleo delicioso ou o hidratante perfumado, a camisola de cetim limpinha... Ligar o computador , ter as palavras arreganhadas escorrendo pelos dedos no teclado até sentir que é isso, que tá pronto, ler aquele e-mail do amigo saudoso, mandar outro mais saudoso ainda e gostar tanto da minha vida assim, com meu coração sossegado, escolhendo minhas surpresas e sentindo aquele sono na hora em que sei que vai me permitir acordar super bem no dia seguinte...ou receber o telefonema convidando a transgredir e cair no samba pra chegar de madrugada e acordar na mesma hora de sempre, ressaqueada, sonolenta e feliz...não importa.

Sei que o dia será mais bonito quando lembro de determinar certas coisas, como fazer do cansaço um cantinho de silêncio e repouso pra dormir pesado e do edredon o abraço mais caloroso enrolando o meu corpo com cuidado dentro dele pra que tudo pareça afago, conforto, aconchego. Quando me proponho a melhorar os ambientes por onde passo ou, pelo menos, me predisponho a estar bem dentro deles.Quando me permito transgredir sem culpas, sem dramas.

Gosto de saber que a minha criatividade serve, principalmente, para arranjar outras alternativas e driblar meu fastio, minhas angústias, meus conflitos, amenizar minhas crises e fazer dos meus dias invejavelmente deliciosos: desses que tornam uma autobiografia bem mais gostosa de ser escrita ou mais propensa à censura...;-)


(Marla de Queiroz)



terça-feira, julho 18, 2006

"Eterno Retorno do Mesmo"



O toque inusitado do telefone mudo há tempos, rasgou o meu dia em duas metades.E, de repente, alguma coisa densa se instalou no ar viciado dessas janelas fechadas do meu quarto.Não era um peso, era a saudade avolumando os resquícios de vento.Era pra ser bom, mas não como antes. Tinha calor, mas dessa vez vinha com mais ternura, sem tanta força_ pra mexer na ferida propondo curas e falar de coisas tristes num tom saudável.A voz mansa do outro lado me convidava pro antigamente.Mas eu com a surpresa dele entulhando a minha voz de sustos, só conseguia respirar fundo no início.

Não declamou poemas dessa vez, mas desatou em mim um monte deles, como sempre. E fui dormir mesmo sem sono, porque somente nos meus sonhos a nossa história acaba bem.

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, julho 17, 2006

Pra compartilhar


Foto:David Marcos Vazquez

Tudo foi especialmente bonito, inclusive o cenário: os dias estavam irretocáveis mesmo no inverno. Corei as bochechas no sol pra depois vestir branco e casaco colorido e me proteger da agulha fria do vento_ eu parecia uma borboleta com asas patchwork.
Especialmente bonito também foi o momento em que o assunto se estendeu até alcançar a raiz das minhas palavras e desenterrar uma história antiga pra sanar uma curiosidade alheia e curar uma ferida minha. Então vieram as flores em cima da mesinha do computador com a carta mais doce que dizia:


“ Abriste teu mundo pra mim com tamanha doação...Continuo vendo que não és uma privilegiada e, sim, uma buscadora de tons novos para tua caminhada. Teu colorido encanta, essas flores são ‘vermelho-marla’, vermelho para combinar com todo amor que é teu...e de mais ninguém...”

Tomei um banho quente de 25 minutos, lavei cuidadosamente os cabelos e aproveitei pra chorar... É que tem cores novas que surgem na minha vida e que por falta de alguma ousadia em saber simplesmente aceitar, choro pra aprender a receber sem tentar retribuir imediatamente. Eu fico constrangida com presentes muito grandes porque me desmantelam, me deixam mole, derretida, vulnerável.
O que ficou disso tudo além da beleza, foi a promessa de que abrirei meu coração pra essa coisa que evito por ser desconhecida, assustadora e necessária.

E nem quero pensar na solidão desses meus primeiros passos.

(Marla de Queiroz)

Que a semana comece bem pra todos nós. Que as experiências nos alarguem por dentro e nos melhorem...sempre. E que haja alegria. E serenidade quando houver dor.Porque isso tudo é só uma parte do processo.Desse eterno processo. Não percam o foco, nem a esperança. A meteorologia nem sempre está certa.

domingo, julho 16, 2006

Da amizade.


Foto: Isah

Eu sei dos meus privilégios.Convivo muito bem com a minha solitude porque, quando estou acompanhada como hoje, num sábado de sol com vento numa praia quase vazia,sou nutrida pelo mais delicado e intenso amor. Eu queria muito que vocês pudessem ver o que acontece quando os meus amigos aparecem pra conversar me olhando nos olhos: a gente se declara, se emociona. A gente se toca com uma profundidade de esquentar o coração e fica quase sem entender o que está acontecendo naquele momento que é de pura adoração.E a gente fala muito, elaborando cuidadosamente as frases que explicitam o nosso amor.Emanando poesia.Porque a gente tem um cuidado enorme com essa coisa especial que nos aconteceu. A gente sabe que não se economiza amor nem elogios.

Eu queria que vocês vissem como fico bonita nesses olhares que me fitam sinceramente.Eu queria que vocês vissem como são bonitos os que me cercam. Eu queria que vocês pudessem ser tocados assim: com fundura,naquilo que a gente tem de mais lapidado e que não esperou uma ocasião mais apropriada pra compartilhar porque é gratuito e emerge súbita e naturalmente...


Sabe quando amanhece e era pra ser só mais um dia de praia e esse dia vem recheado de coisas tão grandiosas que você precisa de ajuda pra sentir? Espero que saibam. Eu não conheço sensação melhor.

(P.S.:Ângela, Kátia, Marina, Letícia, André e Jordana, vocês trazem à tona o que tenho de mais genuíno,de mais autêntico. E eu adoro ser quem eu sou quando estou com vocês).



sábado, julho 15, 2006

Trecho de um diálogo.




Foto: Jana Perrone Machado

PARADA CARDÍACA
(Paulo Leminski)

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

*

_Se é verdade o que te digo?

_São as minhas "meias-verdades" mais sinceras...

(Marla de Queiroz)


sexta-feira, julho 14, 2006

DE-LÍRIOS...


Foto: Graça

Eis que novamente surge aquela fome doida de ti. O apetite súbito que intumesce o sexo e abarrota o corpo de hormônios safados. Uma vontade atroz de tê-lo entre os braços, coxas, seios, entrelinhas, entre as flores do meu vestido pela metade do corpo. A saudade de nós dois entre tantos copos , nossos corpos tontos e ensandecidos pela febre que nos deixa afoitos e quase aflitos, mas que não nos apressa. A querência tão familiar e sempre inédita.


E me recordo de quando te recebo e acolho dentro: no espaço febril do meu ventre onde nem eu tenho acesso, e que você transita com a naturalidade de quem passeia pelo próprio quarto...

E novamente surge essa fome doida de ti nessa cama cheia de nós, dos nossos laços e do espaço que sobra, entrelaçados que ficamos entre os lençóis. E a vontade de flutuar pelos ares, nos teus braços, esquecendo até que tenho medo de altura......


Porque nesse encontro do seu corpo com o meu desejo e do seu desejo com o meu corpo, há essa explosão: DE-LÍRIOS.

(Marla de Queiroz)

P.S.: Esse foi um dos primeiros textos que publiquei neste blog, mas ele combina tanto com essa Lua Cheia e com o meu estado de espírito nessa fase que resolvi trazê-lo aqui pra cima...

P.S.2: Final-de-semana chegando....Lembrem-se: em alguns aspectos, juízo é tudo que nos atrapalha.
*
*
*

quinta-feira, julho 13, 2006

Belezuras catadas na fala de Felipe...


Marla diz:
Você é o poeta das palavras invisíveis. Um canceriano dramático completamente influenciado pela lua cheia desse inverno...

Felipe diz:
E você sabe como soul e despluga minha guitarra!!!

P.S.: Nós dois num desses momentos boêmios que não têm preço porque o boteco fuleiro não aceita Mastercard...


*

quarta-feira, julho 12, 2006

Um história breve...ou página arrancada de um diário antigo.


Foto:Pedro Flávio

Esse é o início de uma história breve. Terminada. Resumida em tudo. Bem pequenininha.Uma história comum, mas brutalizada pelas palavras. Uma história desencontrada que sucumbiu antes do tempo, antes de tudo.
Essa é quase uma história de amor...dentro de uma página em branco.

Quando ele apareceu foi tomada por uma alegria tão desconhecida que pensou que era amor. Quando ele mergulhou dentro dela pela primeira vez, tinham um mar atrás de si e uma lua gorda, precipitada no final da tarde.O barulho das ondas imitavam trovões e o vermelho-poente esparramava luxúria em seus corpos.Seus dedos entrelaçados afundaram na areia durante o mais comprido gozo.E a mesma felicidade que os despira, também os agasalhara naquele fiapo de noite...

Mas, num dia estragado, ele saiu com passos lentos e largos: deixou pra trás a silhueta dos prédios na diagonal, um resto de sol no mar, a areia suja, alguém correndo lá longe... Foi deixando um cheiro, uma lacuna, saudade por todos os cantos e uma dor oceânica atrás dele pra mergulhar no horizonte seco e calmo. Foi embora deixando a paisagem intacta e alguém despedaçado, com os olhos marejados, contemplando ondas que quebravam violentas _como seus seios estiveram um dia... na boca dele.
"Foi pra bem longe...", pensou... "pra bem longe de todas as minhas pretensões."

Bsb, 2001

(Marla de Queiroz)

terça-feira, julho 11, 2006

Trechos de um diário abandonado 2


Foto:Augusto Peixoto

P.,
(...)E esse diário que não é antigo, mas abandonado. Ficou ali num canto, interrompido bruscamente, no meio não de uma frase, mas de uma palavra, como tudo que ficou pelo caminho relatado dentro dele. Parei porque as minhas frases perderam o ritmo da respiração e restou um grande sufoco .Coisas que eu tentava aliviar com os vários e vários suspiros profundos, a mão no peito. Era um grito abafado. Era dor pungente. Uma angústia latejando de um amor(?) cheio de farpas.Uma vontade de você tão violenta que me deixava trêmula e tola. Ficava tão nervosa contigo ao meu lado que esquecia de ser interessante... e os meus comentários eram sempre sem consistência e o meu humor infantil e bobo... Depois a tentativa de perdoar a mim mesma por tudo: por ter me apaixonado, por não ter te seduzido o bastante, por não conseguir esquecer e, agora, por te dizer essas coisas todas. Mas precisava me livrar disso, sei que precisava (...)

Marla de Queiroz

segunda-feira, julho 10, 2006

Trechos de um diário abandonado...


Foto: Helena

P.,

(...)Ainda adoro você. Não sei por quê. Talvez seja porque o seu olhar me fazia dançar melhor. Ou porque ninguém mais me chegou com um cheiro adocicado no meio da tarde ensolarada, em harmonia com todos os azuis(...)E, atrás dos seus passos largos,no jardim de insônia que você deixou, foi onde melhor escrevi as minhas saudades. Hoje, debaixo do sol e com o mar ao fundo, ainda é por você que eu espero.E se eu pudesse dizer tudo o que já escrevi e calei, seria com uma voz mansa e aveludada: sem os suspiros de horror do início, mas com o mesmo desejo, embora um pouco mais sossegado com o tempo. Tempo que só encheu de poeira sem conseguir apagar(...)

Marla de Queiroz
RJ, 2002.

*(“Terminar é como morrer devagar, sem ninguém por perto”).

* Fernanda Young

sábado, julho 08, 2006

Pergunta


Foto:Nuno Direitinho

Por que esperei tanto tempo se já me sentia pronta?
Porque sou fruta madura que só cai em solos
que tenham melodias harmônicas...
(Marla de Queiroz)

sexta-feira, julho 07, 2006

Resposta à proposta


Foto: Karula


Eu respondi que, intuitivamente, me enfeitei toda pro amor que ele preparou pra mim. Que se ele plantar sementes no meu ventre nascerão crisântemos, gérberas, tulipas, orquídeas,lírios e algum poema inédito.
Que sempre que ele tocar a minha pele com aquela boca carnuda, eu vou me amoldar ao seu corpo feito água no jarro ou me enrolar feito serpente. E que enquanto estivermos de mãos dadas caminhando pelo lado mais ensolarado do dia, nós habitaremos no Eterno.

(Porque coisas assim me fazem acordar, todos os dias, a mulher mais adorável do mundo).


Marla de Queiroz

P.S.: Resposta ao post abaixo.

quinta-feira, julho 06, 2006

Proposta


Foto: Márcio Alves


Ele disse que preparou esse amor pra ser meu. Quer que eu viva com ele de parir poesia e filhos com nome de flor. Prometeu que quando tocar a minha pele com aquela boca vermelha cheia de carne, vai desabotoar meus sentimentos até me deixar mansa e desajuizada. E que enquanto estivermos de mãos dadas, sempre caminharemos pelo lado mais ensolarado do dia...

(Marla de Queiroz)

quarta-feira, julho 05, 2006

Uma forma de olhar...


O OLHAR
(Manoel de Barros)

Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
de águas
de árvores
de aves.
Ao passar pela Aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava a sua vida.
*
*
*
Essa tempestade, meu amor, é só uma chuva que desabrochou...
(Marla de Queiroz)

segunda-feira, julho 03, 2006

Rio de Janeiro, Brasília...Saudades.



Porque eu adoro escrever na praia que quando tento descrever um dia muito azul digo:
"céu e mar se emendavam..."
Se eu ainda morasse no cerrado, certamente diria:

"este céu amanheceu azul assim só pra destacar o amarelinho daquele ipê..."

( E quando volto do mergulho lambendo o sal dos lábios, sempre lembro que de onde eu venho a água é doce, doce...)

P.S.: Este post nasceu de um texto lindo que a Bela escreveu falando dos ipês de Brasília...Fiquei toda saudosa...

sexta-feira, junho 30, 2006

Flor de Cacto

Foto: Maria Ivone Ferreira

“ A bem dizer, ele pouco falasse. Se via que estava apreciando o ar do tempo, calado e sabido, e tudo nele era segurança em si. Eu queria que ele gostasse de mim...”

(Guimarães Rosa_ “ Grande Sertão: Veredas” )

Ele é mais contido, cuidadoso nos gestos, fala pouco e quase não se derrama.
Às vezes a olha cheio de encantamento e, prestes a pronunciar a tal frase de impacto, desiste no primeiro impulso do momento exato.
E quando sai de órbita, escreve um poema sem título.
Ela é doce e ardente, esparramada na fala, exagerada no toque.
E todos os dias negocia com a maneira que ele tem de demonstrar afeto_ nunca é o suficiente.
E do poema inteiro, só presta atenção no título ausente...
Dentro de tantas expectativas, eles seguem se amando desajeitadamente:
Ele de um jeito delicado porque não precisa dela...
Ela, com tantas carências, pensa que o ama loucamente.

(Marla de Queiroz)

*


quarta-feira, junho 28, 2006

Brasil e Ghana...com um pouco mais de emoção e erotismo!


Designers

Para minha amiga linda Juliana Varga que foi sorteada pelo Mastercard e está assistindo aos jogos na Alemanha...

Aquecimento...Eles correm no campo, as mãos dele descobrem meu corpo com a destreza que eles têm pra conduzir a bola com os pés, um giro, um drible, estou sem fôlego, ele me pega com força, estão na nossa área, talvez um chute a gol, ele enrola meu cabelo na mão, o goleiro defende, puxa-os pra trás com uma violência delicada, não machuca, foi só um susto, tiro de meta...

Um, dois gols, quero mais. Ele também. Ninguém se contenta com o gozo de dois gritos apenas, podemos muito.Quero tudo em absoluto, Freud explica, Parreira irrita.Os estampidos de champagnes sendo abertas no meu ventre e o líquido espesso borbulhando no látex...Um gole na cerveja e voltamos pro beijo: o tempo urge, a vida é curta e eu quero o HEXA...Você também?Talvez tenhamos um pouco mais de pressa nesses quarenta e cinco do primeiro tempo, mas gosto da precaução...

Não mudei de titular, os brasileiros reclamam do técnico, adoro sua técnica de tocar no canto certo, de finalizar bem os escanteios. A taça do mundo é nossa, cansados todos, suados e felizes...exausta e mole,agora é só correr pro abraço...Quase saciada e rouca...Oba! Segundo tempo?
Reclamam do toque de mão, eu não. Gosto do jeito que ele toca,pareço um instrumento; desconheço a combinação das notas e as regras do impedimento. Cartão amarelo pra quem? Deixa pra lá, é pro time adversário,tomara que seja expulso enquanto eu vibro em vermelho.
Abre aqui pela direita, FALTA (!), ia meter pela linha de fundo mas preferiu se posicionar na frente.........Falta é criatividade nesse meio de campo, aqui não...Acabem com Ghana, acabe-com-essa-minha-gana!!!Mor-DIDA SALVA OUTRA VEZ!!!!!!!!Que reflexo!!!!O rebote é nosso, a enfiada no meio de campo é sua e lá vem a oportunidade de mais um GOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLL!!!!!Eles correm pro abraço, eu permaneço no seu...
Recomeça a partida, a nossa defesa retoma o lance, posição de perigo, alguém se adianta, lançamento pela linha de fundo......... IMPEDIMENTO!!! Haja coração!.....Soa o apito, toca aqui, toca ali, “que posição legal!” , olho no lance que os meus estão fechados, agora o mérito é do triângulo mágico: “a conseqüência de jogar com gana é muito contato físico!” e o narrador conclui: “o problema é na defesa....” Concordo, as minhas estão todas abertas...
Pronta pra enfiada de bola... olha lá: "na TRAAAVE!!! O espaço é estreito com uma goleira dessas!"
Jogo suado, sofrido, mas muito boa a atuação da equipe e esse seu espetáculo particular.......

Próximo jogo: na minha casa ou na sua?

Resultado: Brasil três pra zerar essa gana_ próxima partida rumo ao HEXA!

Obs: Demitindo Galvão ou a sugerindo uma narração mais emocionante.

terça-feira, junho 27, 2006

Despedida.


Foto: Cláudia Barbosa

Para Grazi.

"...Agora é de novo madrugada.
Mas ao amanhecer eu penso que nós somos os contemporâneos do dia seguinte.
Que o Deus me ajude: estou perdida.
Preciso terrivelmente de você.
Nós temos que ser dois para que o trigo fique alto.
Estou tão grave que vou parar _
Nasci há alguns instantes e estou ofuscada
Os cristais tilintam e faíscam
O trigo está maduro: o pão é repartido
Mas repartido com doçura?É importante saber
Não penso, assim como o diamante não pensa
Brilho toda límpida
Não tenho fome nem sede: sou
Tenho dois olhos que estão abertos
Para o nada
Para o teto
Vou fazer um adágio
Leia devagar e com paz
É um largo afresco.
Nascer é assim:
Os girassóis lentamente viram suas corolas para o sol
O trigo está maduro
O pão é com doçura que se come
Meu impulso se liga ao das raízes das árvores..."
(Clarice Lispector)

Quando ele foi embora não se despediram.Juntou silenciosamente um punhado de coisas e saiu enquanto ela fingia o mais profundo dos sonos. Seu corpo ainda estava quente e nu, sua doçura adormecida e sua alma deserta...
Nem quis olhá-lo fechando a porta para não ser promovida pelo desespero.

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, junho 26, 2006

" Algo Teu"

Foto: Helena

Tem jeito não. A lembrança dele me arranca o sono nas madrugadas com a urgência de quem quer o amor mal-feito mesmo, quando eu só precisava descansar da violência das minhas fomes_ daí eu ter posto musiquinha triste pra embalar meu sono.Mas ele me conhece e me acorda assustada com diálogos internos, imaginários ou não,e entra no meu sonho com nome e sobrenome falando das nossas questões mais truncadas com a clareza que eu precisava ao vivo e que não tive. E tudo pela demanda da sua vaidade. Se o que eu queria contar sobre nós dois eu nunca pude, porque não me deixar em paz com a caneta repousada no bloco de papel ao lado? Mas não, ele insiste em me entristecer inutilmente. Invade meus sonhos, bagunça meus planos de viver uma história possível e desanda meus sentimentos já tão enfileirados pro moço que me quer mais que tudo nesse mundo. E ele sussurra, quase que em carne e osso, as palavras mais levianas no meu ouvido.Eu fico esquisita: tem amor tão bonito dentro de mim que não consigo dar ao outro nem desperdiçar com ele. Fico abundante de coisa pra compartilhar sem poder ou querer, e aí é que tudo se complica:

Volto a dormir neste inverno, agasalhada só na saudade, com essa melodia triste, nessa madrugada fria...

sexta-feira, junho 23, 2006

Dica.


Foto: Carlos Sillero

Se você tentar dizer as coisas como eu as digo, isso vai virar um eco insuportável e eu só vou conseguir carecer da tua voz...( Não espero receber textos iguais aos que escrevo).
Eu só quero esta paisagem, os sentimentos desamarrados, um traço firme do teu desenho, uma nota bem tocada no teu contrabaixo, esse beijo bom, teu melhor pedaço de pizza e esse tempo que sobra pra sentir saudade das SUAS especialidades...
Enquanto isso, eu fuço minha memória, bolino a palavra e desenrolo meus textos só pra revisitar cada milímetro da tua pele...

(Marla de Queiroz)

P.S.: Coisa mais linda que o Luiz Antônio Gusmão me explicou, quero compartilhar com vocês:

"bellis lepdoptera perennis":
A tradução, explicação que me pediu: o nome científico da margarida é " bellis perenis" - beleza perene, duradoura, sempre-viva. "lepidoptera" é a ordem à qual pertencem as borboletas. Fiz uma mistura e deu um nome cheio de sílabas labiais, como que pra evocar um leve bater de asas. ; )