segunda-feira, outubro 30, 2006

Deixando ir...ou carta que pretende ser um beijo.



De repente é noite e você está tão só...O meu dia foi tranquilo, mas eu sei que o seu te doeu até agora e eu não posso amenizar nada com palavras que pretendam ser abraços porque elas te falariam obviedades sobre tempo, paciência e espera_ quase uma crueldade quando o que a gente quer é uma premonição, uma certeza, alguma frase cheia de sabedoria que norteie nossa vida.

De repente a semana está começando de novo, mas só se passaram alguns dias e todos foram tão abarrotados de ausência e medo e confusão interna, de uma busca quase estéril de se sentir melhor ,de fazer coisas por si mesma...E o buraco insistindo no meio de dentro do corpo, o abismo gelado, o choro engrossado de escuridão e descrença...E eu te vejo encolhida num canto, o desespero nos olhos, o peito abafado, a vontade do grito e a falta de fôlego...E eu não sei a coisa mais bonita que eu poderia te escrever....Sei que já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa e rosas incríveis desabrocharem num copo com água: e é disso que me nutro pra acreditar que a meteorologia nem sempre está certa e que dias tão cinzentos podem ser prefácios de noites com sol...

Sei que se eu estivesse aí,certamente estaríamos juntas no cantinho mais confortável de qualquer lugar escolhido por você e eu te daria um abraço com tanto encaixe e amor que você, por pelo menos alguns minutos, encontraria“ um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”...E mesmo que o seu corpo todo doa numa súplica e que “ele” seja toda sua ferida, meu amor, eu espero ,sinceramente, que o pedacinho que falta na tua asa, não te impeça o vôo...

( Minha flor, o que eu tenho pra te dar é colo, não conselho...E todo amor que transborda em mim, vai ser seu até que nada mais doa tanto...)
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(Marla de Queiroz)
Abril 2006

sexta-feira, outubro 27, 2006

Com-tato


Foto:Carla Salgueiro
Deitado ao meu lado, seus dedos deslizaram pelas minhas costas
abrindo fendas e poros, tecendo caminhos,amanhecendo desejos.
Afastou meus cabelos da nuca pra roçar o seu queixo.
Eu sentia a sua respiração no meu ouvido, seu sopro de vida entrando em mim.
Desajuizada e mansa, deixei que com um movimento de braço
levasse meu corpo em posição de feto pra dentro da concha do corpo dele.
Naquele encaixe, com o nosso melhor calor, ficamos ali,
desabotoando fomes, desamarrando sentimentos.
Meu coração estava na boca...pro beijo.

Ele não me acordou.
Ele entrou no meu sonho.
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(Marla de Queiroz)

quinta-feira, outubro 26, 2006

Mar-lá...(restos de memória)


Foto: Carla Salgueiro
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Sempre depois de uma fase de extrema euforia e noitadas intensas, eu preciso parar pra organizar meus sentimentos_ as coisas que vejo, como as sinto_ por isso preciso de amplos momentos de solitude e começo a namorar o silêncio. Eu nasci com um certo medo de incomodar, depois de um tempo comecei a ser eu mesma pra saber se o medo tinha fundamento. Não sou alvoroçada, barulhenta, sou alegre e rio alto, faço piada de tudo, rio de mim mesma.Isso vai dando uma coragem na gente de ter mais luz.E aí a tal beleza exótica que sempre me disseram que eu tinha passou a ser um elogio. Antes eu ouvia isso como uma forma que a pessoa tinha de me dizer que não estava certa se eu era bonita ou feia,mas nasci velha, filha de índia, angustiada com questões tão mais abstratas que nem tive muito tempo de criar complexo, mas pra investir em amplexos. E fui criada meio sozinha, cuidando da casa e do irmão mais novo, fazendo o almoço com 6 anos de idade e acordando às 5h pra preparar o café-da-manhã antes de ir pra escola que era longe. Mas sempre estudei em colégio bom. E tinha tanta liberdade na adolescência que fazia meus horários de voltar da festa, me disciplinava menina por vontade que eu tinha de cuidados comigo, me enchendo de auto-restrições dentro da vontade de transgredir que todo adolescente tem, porque eu podia, ninguém me cobrava nada. E sempre fui uma criança melancólica, preocupada com os problemas dos adultos, sem tempo pra parque.Capricornianos são assim,nascem disciplinados, responsáveis demais.Um dia ouvi duas mães de amigas minhas comentando: essa menina é como uma fruta fora de estação que amadureceu à força. Nem entendi na época. Hoje, minha mãe me chama de MÃE!Não vejo tristeza nenhuma nisso, maturidade é uma coisa que facilita demais a vida da gente.É estranho, mas entendo dores que nunca tive. E tive dores que ninguém teve, mas nunca banalizei nenhuma. Porque parece que tudo dói do mesmo jeito e aprendi a cuidar do outro de uma maneira que não me souberam. Daí, descobri os amigos. Não rivais, amigos. E descobri o amor de um corpo por outro corpo, bem tarde já, pra época. E sempre tratei melhor amigo que namorado porque nunca consegui me sentir pertencendo a nada, a ninguém.Eu sofria demais com a idéia do abandono. Pelo menos, amizade seria eterno e duraria. É porque abandono tem o acostamento largo, além de ser estrada deserta e escura.Nunca parei pra trocar pneu na estrada do abandono, mas já me deixaram nua, depois de um falso amor, no estrado de uma cama ou na estrada deserta. Sem nada nem ninguém. Mas eu tinha a mim mesma.
Eu negocio com essas coisas todas, com perdas, vejo ganhos em danos,não fui criada com danoninho, mas com tutano de boi. Quase não se vêem as costelas no meu corpo, sou robusta emocionalmente. Tenho a mão pesada, o corpo macio pro afeto.Tenho doçura sem ser meiga e minha voz é forte e rouca. O meu colo é largo, sem que eu seja gorda. E eu nunca quis ter cabelo liso.E o meu nome se parece muito com meu jeito.
Minhas flores eu planto no papel reciclado.
As outras, eu ganho ou presenteio.
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(Marla de Queiroz)

terça-feira, outubro 24, 2006

Presente do Múcio Góes



Foto: Chico Matos

Múcio Góes, o poeta -flecha segundo Rayanne, mandou hai kai pelo SMS.
Vou postar aqui, pra matar a saudade que lateja no peito.
Porque ele não foi pra Salvador, mudou de planos, mas está sem PC.


Olhos voando
enquanto no peito
pessoa
fernando-Mar
cherri!
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(Múcio Góes)

segunda-feira, outubro 23, 2006

MAR-RITMO


Foto: Adlia Campos
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Enquanto espero por ele,
como uma deusa,
eu danço com meus demônios:
suada,
exalando feromônio
e ávida
por adrenalina, endorfinas e serotoninas
ou qualquer coisa
que faça vingar a nossa
rima.
E que transforme esse amor,
desencontrado do nosso mapa (astral),
na mais perfeita
química.
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(Marla de Queiroz)

domingo, outubro 22, 2006

Véspera


Foto:Pedro Lima

Quando você vier haverá o encontro da sua busca com a minha espera.
E o seu abraço será a moldura do meu corpo.
E a minha boca o pretexto para o seu mais demorado beijo.
E a gente vai brincar de se desmaterializar dentro da música,
de desatar auroras,
de escrever poemas de orvalho...
E eu vou inventar uma madrugada eterna pra quando você tiver que ir embora no dia seguinte.
E você vai inventar um domingo que vai durar pra sempre porque tenho preguiça das segundas-feiras.
E a gente vai rir dessa maldade da demora do tempo pra fazer essa brincadeira de desencontro:
quase nos deixou descrentes...
A gente vai rir dessa maldade porque o nosso amor será a coisa mais bonitinha do mundo...
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(Marla de Queiroz)
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Junho 2006

sábado, outubro 21, 2006

Perfil 3



"Caboquinha corria dentro do vestidinho vermelho com flores brancas e pequenas. Estampas querendo o suicídio coletivo. Morrer no revés do tecido. Nada tem a ver com as cores que se avistam com olhos recém-nascidos. Para é sempre Caboquinha. Depois que conheci Caboquinha foi como se me colocassem viseira para burro birrento. Para não enxergar periferias e abismos e se por de ré; talvez, até soltar uns coices. Caboquinha tem cabelos de alecrim. Loura negra. Boca carnuda de chupar o polegar, beiços vermelhos de lamber garapa; pernas grossas de subir morro; pelo mocotó, uma idéia das delicias para o rumo de cima; olhos negros e mudos, timidez treinada para coronéis; língua solta quando atentam suas entidades baixava a pomba-gira. Levanta terreiro. No mais, cheiro de mato e safadeza. Hoje, a ciência descobriu que se chama feromônio esse olor de bicho no cio e caboquinha vive desvairada. Recatada era pela força dos modos. Filha de macho que não quer ver filha sua perdida na vida. Claro, o safado bem desgraçou tantas. O sangue que lhe veio nas veias já havia contaminado a prole. Caboquinha aguava desde menininha. Quando lhe dava aperreio, corria pro córrego e era visão farta pros bichos, cheios de sede. Qual eu, sedento de caboquinha. Um dia, virei homem e a arrastei pelos cabelos. Botei cabresto e montei no pelo. Várias vezes, que era para fazer vingar a doma. Mas, ao contrário, ficou cada vez mais arisca. Mais dona de si. E, agora, dona de mim, caboquinha me atiça como quer. Fico aqui no cercado, seguro da vida, arando cama para amansar caboquinha. Deita caboquinha, deita...
Do teu caboco.
Saudade."

sexta-feira, outubro 20, 2006

Cansaço

Foto: C. Salgueiro

É que eu estou tão cansada.
E subitamente sinto vontade de chorar.
Um choro sem tristeza, conformado,
vontade de esvaziar o corpo de tanto, tanto sentimento.
Já que não era pra ser eterno,
que fosse ao menos o infinito vestido de terno,
bem-sucedido nas ternuras.
Porque há muita vontade de acariciar na flor dos meus dedos.
E todo esse amor desperdiçado.
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(Marla de Queiroz)


quinta-feira, outubro 19, 2006

Sobre Danúbios e Ravel...

Foto: C. Salgueiro

Te(u) en-leio
e-mail às letras
doces, atrevidas,
palavras aladas
molhadas
de tua saliva.
Te aceito sim,
eu já sabia
agora espero
que teu vôo
sobre o há-mar
cure as feridas
da espera.

*(Desígnio lançado em papiro a espera da ilha que não voltou das profundas águas de março...)*

Ampla arde essa saudade
do que não fomos ainda
que linda tenha sido a nossa história
que mora no futuro
de tudo que somos agora.
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(Marla de Queiroz)
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P.S.: Que seja doce.
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terça-feira, outubro 17, 2006

MANTRA ( Raio Ativador)


Foto: RAPHAEL
Não acre-ditar a desconexão, mas buscar a pró-cura do planeta
sendo doce como Barros, acendendo voga[l]umes.
Preservar antes que tudo seja ar-ido.
Lembrar que no olho do girassol, a cor do arco da sua íris
é o amar-elo.
TransforMAR o amargoso em amar-gozo.
Respirar e INSPIRAR sol-rindo milhões de vezes
para floRIR.
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(Todos os pensamentos en-sol-(lá-lá-lá)-arados
e
a pá-lavrando os poemas do Uni-verso)
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(Marla de Queiroz)
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P.S.:
Dia 17 DE OUTUBRO DE 2006, CHEGA EVENTO ATIVADOR
É o começo de um dos eventos ativadores que chegam até o ano 2013.
Um raiopulsante ultravioleta (UV), irradiado desde as dimensões mais altas doUniverso-2.
Ele cruzará caminhos com a Terra. No dia 17 de outubro, a Terra
receberá e permanecerá neste raio UV no entorno de 17 horas de nosso tempo.
Esse raio entrará em ressonância com o chakra do coração. É de natureza
radiante fluorescente, de cor azul-magenta. Ainda que ressoando nessa bandade freqüência, estará mais longe do espectro de cores de vosso Universo-1,no qual vós e a Terra estão organizados.
No entanto, será importante, devido à natureza de vossa alma e grupos de almas que operam desde as bandas de freqüência do Universo-2, aceitar esta possibilidade.
O efeito é que, durante esse período, cada pensamento e emoção serão multiplicados intensamente por um milhão. Isso mesmo, repetimos: tudo será amplificado em um milhão de vezes ou ainda mais. Cada pensamento, cada emoção, cada intenção, cada desejo, sem importar o que seja: bom, ruim,insalubre, positivo ou negativo, será amplificado um milhão de vezes em potência.
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segunda-feira, outubro 16, 2006

E, no entanto.


(Eu tô mexendo nos papéis velhos e nas nossas incompletudes).Escrevi sobre tuas mãos no dia em que o esmalte vermelho descascado parecia gotas de sangue seco em tuas unhas.Você estava triste e, no entanto, sorria: nunca vi tanta amargura revelada num sorriso.(Achei naquelas folhas soltas do caderno abandonado a história áspera de um amor que chegara trazendo angústias; a visão de uma Primavera, toda ela, de flores mortas. Achei o cartão postal, o poema rabiscado em cima da perna num pedaço de guardanapo engordurado).Tuas mãos, tão trêmulas, tantas veias grossas, tuas palmas ásperas, bem me lembro da firmeza com que segurava as coisas, do teu apego, do medo de deixar cair.Você vivia entorpecida passeando pela casa, desarrumando os quartos, esvaziando cinzeiros. Os discos espalhados pela sala.(Uma frase de Drummond naquela foto antiga, a letra ilegível, a frase indecifrável).O sangue seco nas tuas unhas.(Tanta amargura naquela carta.A Primavera de folhas secas e flores mortas).E no entanto, você falava de amor...Tonta,trêmula e ausente segurando as coisas com força, em meio aquele abandono.
No teu sorriso.
Tudo tão frágil.
(E, no entanto).

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(Marla de Queiroz)

Março 2006

quarta-feira, outubro 11, 2006

Do desejo...


Foto: do filme DOLLS

Apertou o meu braço me encharcando de luz com os olhos dele. Mexeu nos espaços vazios menos visíveis do meu corpo, encheu meus compartimentos fechados de sentimentos que não me couberam nas mãos em concha. Esperei inutilmente que o tempo o levasse de mim. Foi tão inútil esperar quanto pensar que o veria e que não o beijaria novamente. Aquela boca vermelha sem batom. Foi tão inútil, meu deus, pensar que seria tarde demais se o que havia era um pedaço de tempo, de qualquer hora propícia pra não resistir ao beijo que ele fingiu roubar e que eu fingi que não dei. Depois saí atordoada vestida de desejos urgentes. Havia um céu negro, uma multidão ao fundo e ele lá, destacado no meio daquela gente sem brilho, ele destacado, completamente sobressalente. "Senti saudades de você. Senti muita saudade de você.", ele disse sem saber da minha falta, da ausência dolorosa, da minha procura que começava sempre às vésperas da sua chegada rápida em que não é necessário nem se desfazer as malas. Ele me desabotoando sem saber e eu fingindo, fingido que estava tudo como sempre esteve enquanto um cataclismo desarrumava os meus órgãos internos.Ele sempre tão bonito. Tão bonito, meu deus. Eu o adorando, adorando com suas pequenas mentiras, suas diversas histórias contadas em textos curtos, frases breves e um sorriso constante. No meio da madrugada, daquela gente toda e ele sempre se destacando, chamando a minha atenção pro proibido, pro contestável, refutando uma-a-uma as minhas convicções. Acordou em mim tudo que dormia ou estava sonolento. Fez emergir o que eu guardava pra sentir depois da chuva...

Ele, insuportavelmente sedutor ...Eu, "docemente pornográfica".
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(Marla de Queiroz)
Março,2006.

terça-feira, outubro 10, 2006

O que foi dito (quase) em silêncio...



Foto: Tatas del GOSTs

Não vá embora, não. Eu nunca pedi isso, mas agora que eu não preciso de você porque estar contigo é uma escolha, posso pedir. Quero que fique pelo que tem pra amar que ainda não se permitiu. Não só amar a mim, mas a uma pessoa que entenda essa sua necessidade de descobrir a dimensão do amor que você engavetou. E que faça com que não tenha medo de ser abandonada antes que tudo se complete. Antes do tempo de estar pronta pra ser uma luz pra si mesma.
Não vá embora agora, você sempre fez isso antes que doesse. Nunca saberá se doerá sempre. Nunca. Enquanto isso, carrega uma ilusão como sua única verdade.

Não vá embora, eu peço porque seu olhar me pede isso. Então eu digo com todas as letras que estou contigo, ao seu lado. Parece pronta, mas antecipa tudo antes do susto.Não tente me despertar emoções, elas são a parte mais nítida do seu medo. Sempre que quer ficar apressa seus passos e ganha a estrada abraçada com o diálogo imaginário de tudo aquilo que nem sequer esperou que fosse dito. Eu vejo sua fuga quando dança de olhos fechados, quando se muda pruma outra dimensão, quando se entrega ao etéreo querendo sumir.... Casou com a palavra, com a poesia, inventou seus personagens e, aparentemente, isso basta porque segue mantendo o controle dos inícios e fins. (Ouse ficar aqui um pouco mais pra se surpreender consigo mesma...)

Eu só quero que você compreenda que pode fazer alguém muito feliz.
Até lá, quem sabe, eu terei tempo suficiente pra aprender a merecê-la.
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(Marla de Queiroz)
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P.S.: Não tenho respondido a alguns comentários porque meu computador de casa não quer funcionar.Quando dá, eu rabisco alguma coisa em cima da perna e publico num cyber café ou no trabalho...
Uma semana abarrotada de sol-risos a todos.
( Vocês me fazem mais bonita! ;-))
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domingo, outubro 08, 2006

"Amaduressência"



Ele nunca soube se eu voltaria: chegava sempre alvoroçada, com pressa pra consumar o amor.Quando me demorava no abraço, ele fazia eternidades daquele instante. Envolvia-me com zelo temendo qualquer movimento que o afastasse, qualquer menção de buscar a roupa espalhada. Ele o fazia cheio de delicadeza, não havia como me prender por mais que algumas horas. Buscava um brilho do meu olhar em sua direção, uma entrelinha num sorriso breve, uma malícia qualquer na piscada de olho antes da ida para o banho. Esperava meu convite, mas eu o tinha com tanta abundância que achava que não o queria. Era como se nunca fosse se ausentar porque se doava inteiro e sem pressa.

Um dia ele chegou antes da hora do meu desejo cru. E ficou contemplando a minha ausência. Não me abraçou como sempre, esperou que eu me aproximasse.Disponível que estava, mas seguro da sua parte feita, esperou que eu me assustasse, que entendesse que eu poderia não voltar se eu não quisesse, que ele saberia conjugar a minha ida no pra sempre.Com alguma dor, naturalmente.Mas estava sereno, quase se despedindo, conformado. E eu me sobressaltei.Porque nunca tinha imaginado que ele pudesse ir embora. Nunca tinha imaginado a ausência do toque dele, a falta do beijo, a serenidade que cabia no desejo. Eu esperava alguma coisa mais aflita, uma paixão que gritasse pra eu ficar, um desespero, os argumentos. Mas não, ele me contemplou sem falas, sem pedidos, deixou que todo aquele tempo fosse preenchido por grossas gotas de silêncio e calma.

Naquela hora, naquele meu sorriso sem jeito, naquele olhar cheio de frases, um brilho, um brilho tão forte abraçou todo ele com as minhas retinas.E eu o vi como nunca tinha visto antes. Eu o quis como se nunca o tivesse tido entre as minhas pernas.E abandonei o meu corpo no abraço dele, eternizada...

Ele que sempre esteve ali e era como se tivesse chegado só naquele instante.
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(Marla de Queiroz)

quinta-feira, outubro 05, 2006

Das coisas que ficam.


Foto: Adlia Hudec
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Com você eu aprendi sobre a Dança do Universo e de como alguns outonos são plenos de manhãs indóceis.Aprendi a desatar o choro amolecido na garganta e a enfeitar a casa com flores simples, do campo.
Ingressei em noites sem estrelas iluminadas apenas pela ponta de um cigarro aceso. E amanheci entre borboletas azuis e flores roxas sem nenhum odor, mas com o cheiro de chá de erva cidreira inundando toda a casa.E você vibrava em verde curando as mesmas páginas que feria.
Compartilhei o meu suor íntimo e fértil e tudo nos parecia tão sagrado que eu desviava o meu olhar da dor.E fui me desapegando do desamparo cuidando do manjericão que plantamos juntos: pela primeira vez na vida eu via uma coisa bonita e palpável nascer.
Você me dissertou sobre bichos, plantas e marés.E adormeceu minhas angústias cantarolando aquela música tão desbotada.
Aprendi sobre como a escuridão pode ser suave aos olhos. E de como certas chuvas podem ressecar por dentro.Aprendi a cuidar deste solo seco e a relatar sonhos enquanto abria as janelas da casa. Aprendi a dar outros nomes pro abandono.
Com você eu aprendi que uma bicicleta amarela podia trazer com ela tudo aquilo que mantinha espesso o meu desejo...
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(Marla de Queiroz)
Março de 2006.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Constatação


Foto: Carlos Gomes

Quando você invadiu os meus sonhos com teus solos musicais
e me chamou em teus versos fugidios para o eterno desencontro,
Quando insistiu em ser o foco dos meus poemas
e me pediu pra analisar a anatomia da tua poesia
Sei que não era por uma vontade tua de estar comigo
Mas pela vaidade crua de estar em mim...
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(Marla de Queiroz)
Maio de 2006.

sábado, setembro 30, 2006

Da Dependência


Foto: Raul Alexandre

Eles que já foram correnteza.
Seguiam arrancando galhos
alargando os quadris do rio.
Ela dançando líquida
contornando as pedras do caminho.
Lúdica, se harmonizava
ao que poderia ser obstáculo.
Ele querendo aprisionar a água corrente
num retrato em preto e branco.
Acorrentados à chuva já não fluíam.
Viam as gotinhas de luz passearem por seus corpos
sem as acompanhar.
Não perceberam tristeza quando se esqueceram
do que tinham proposto inicialmente.
Aprisionados um ao outro temiam apenas o abandono.
Dependendo.
Resumindo.
Abreviando.
Empobrecendo-se.

Não era pra ser uma corrente cinza, metálica.
Era pra ser a cor- rente- ao- arco-íris.
*
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(Marla de Queiroz)

sexta-feira, setembro 29, 2006

Flor de ir embora...



Ah, meu amor,
as coisas são como são.
Eu estava embriagada de chuva,
úmida de saudade
e você não veio.
Macerei aquelas flores que você me deu
fiz o Banho do Esquecimento
e joguei no corpo,
“do pescoço pra baixo”.

Porque temos jeitos diferentes
de estragar as coisas...
*
*
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(Marla de Queiroz)
Fevereiro 2006

quarta-feira, setembro 27, 2006

Amor-(Perfeito)-Próprio


Nasceu ontem meu amor-perfeito,
com o sol em riso e a lua em crescências.
Sobrenome, o PRÓPRIO.
Não preciso adubar:
brotou num solo de jazz,
na aur(h)ora da gaita...
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(Marla de Queiroz)

segunda-feira, setembro 25, 2006

Da Poesia...


Não me importam os caminhos por onde me levará a poesia.
Nem se ela escorre na página em branco ou numa pele macia.

Se construção arquitetada ou estilhaços de versos,
Não me importam seus processos.

Importa é que ela nasça:

Seja flor brotada num túmulo frio_ onde havia anseios
Ou no sangue correndo quente _ no bico dos seios...

(A poesia respira no vento...)
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Marla de Queiroz

(Fevereiro de 2006)

sábado, setembro 23, 2006

Decisão



Foto: Tatas del GOSTs

Um dia ela decidiu:
“Esqueçamos a distância.
Definitivamente, a partir de hoje,
você vai morar na minha taquicardia”.
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(Marla de Queiroz)

sexta-feira, setembro 22, 2006

Convite**


Foto:Joana Muge

Deita tua voz em meus ouvidos ferindo a castidade que me faz dormir tão cedo.

Preciso das pontas dos teus dedos para que a insônia crave em mim as suas unhas
e eu te guarde, enluarado, entre os meus segredos.

Desenrola teu desejo sobre a minha pele crua para que a minha boca beba na tua,
esse hálito de flor.
E provoque uma súbita troca de posições
onde meus cachos pendam frouxos sobre o teu rubor.

(Para que eu me despeça da maldade do querer entardecido de ausências
deita tua fome em nossas pendências).

E deixe que o dia brote do horizonte como se fosse do mais íntimo da gente:
adormeceremos ensolarados e castos
como o poente.
(Marla de Queiroz)
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**P.S.: texto republicado

quarta-feira, setembro 20, 2006

terça-feira, setembro 19, 2006

Anúncio.

Foto: NEST1
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Procura-se um amor-tecedor de-coração:
(Quando o amor-tece-dor, chora-se m’águas).
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(Marla de Queiroz)

domingo, setembro 17, 2006

Relendo "Grande Sertão: Veredas"


Foto: Lua Leça

Na parte-dura do solo
A partitura do sol
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(Marla de Queiroz)
P.S.: Um pouco mais de Guimarães Rosa AQUI.

sábado, setembro 16, 2006

sexta-feira, setembro 15, 2006

Crepúsculo

Foto: Pedro André


Crepúsculo:
quando
bourbonletras
escrevem
na paisagem
as frases
da lua....
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(Marla de Queiroz)

quinta-feira, setembro 14, 2006

sussURRANDO...



Foto:Filomena Galego

O EU TE AMO foi suss-urrado para não assustar.
Mas o olhar pronunciou a frase toda
em voz maiúscula.
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(Marla de Queiroz)

terça-feira, setembro 12, 2006

Das confusões sobre o amor...

Foto:Alice Costa

Porque fazemos nossas lacunas não do tamanho das nossas falhas, mas do tamanho das arestas do outro.E onde parece haver um ato de total coragem, pode apenas ser a nossa mais pura covardia. Ou vice-verso.
Porque a nossa aparente generosidade, pode somente dar a dimensão do nosso egoísmo, da necessidade de manipulação e senso de auto-importância.
Porque descobrir que quem te ama não precisa de você, tinha que ser bom, mas o ego só deixa doer.
Porque onde sobra amor pelo outro, pode simplesmente ser a falta do mesmo... por si próprio.

(Na maioria das vezes, quando alguém nos abandona, é porque já fomos embora de nós mesmos).

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, setembro 11, 2006

Estrelas


Foto: Filomena Galego
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As flores são estrelas que brotaram no chão.
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(Marla de Queiroz)

sexta-feira, setembro 08, 2006

Flor-de-Fogo



Foto: António Gil


(Dia de praia é assim: o sol escorrega pela página em branco):

Flor-de-fogo desabrochada, hoje o sol exuberou o dia.
E o céu de outrora diluído em lágrimas, recuperado dos seus alagamentos internos,
ressurgiu intacto em etéreo azul,simplificando os desesperos.
A lâmina fria do vento ainda arranhava a pele dos corpos expostos,
mas soprava para longe qualquer farelo de tristeza;
(Era o AGORA luminoso que impunha sua presença).
A paisagem não mais gotejava suas agulhinhas frias,
ela suspirava cores novas e nítidas de definitivas esperanças.

Flor-de-fogo, esse sol desabrochado embrulhou o meu corpo em carícias:
no mais íntimo da penetração, tecemos amor no finalzinho da tarde mansa.

Uma lua vermelha, grávida de sol, foi cuspida pelo mar zangado:
e a noite foi acesa por um incêndio de estrelas...
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(Marla de Queiroz)

P.S.1: Este post foi inspirado nos livros do Mia Couto e Manoel de Barros que li na praia esta tarde...
P.S.2: Vou dedicá-lo à Rayanne que traz suas estrelas pro meu SOL-RISO!.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Porque dói nela.



Foto: Paulo Medeiros

"O que faz a lágrima? A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início. Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo. A lágrima plagia o oceano."

Mia Couto

Ela quer saber o que fazer pra parar a dor. Eu não sei. Sei que a mesma chuva que alaga é a que fertiliza poemas, que desata os choros, que prolonga aquele encontro ou o impede. A mesma chuva que me torna introspectiva e preguiçosa é a que enche minhas pétalas de gotinhas tão perfeitas que nutre uma sede absurda que nasci tendo. E quando faz sol, eu me amplio toda e fico ali, crestando, me retorcendo de prazer ouvindo aquele barulhinho delicado e sutil da umidade se ausentando. E deixo, deixo mesmo que a luz entre e transborde o meu solzinho interno, aquele do meu plexo perto do coração, pra que meu olhar se encha de faisquinhas de vida novamente, de mais fome de tudo.

Quando dói em mim, eu deixo. Deixo doer até a última gotinha de água salgada. Depois ela se vai. A dor não quer outra coisa que não seja exercer sua função: doer. E não é banalizando, embotando as emoções que ela vai deixar de surgir de tempos em tempos. Não sei como dói em você, mas por saber como dói a minha dor eu imagino a sua: de tão abstrata incomoda fisicamente, de tão ignorada ela se humaniza...em nós. No que eram laços.

Deixe doer o que for honesto.Deixe alagar seus olhos de chuva, escorrer pelo seu rosto e traçar caminhos sinuosos ou retas perfeitas como fazem os rios. A dor só quer te lembrar que há vida naquilo que você rejeitou porque compunha um outro extremo do que imaginamos ser a felicidade. Ela quer que você adquira sabedoria experimentando a totalidade...

(Acho que o que mais dói na dor, é porque ela nos deixa tristes).

Marla de Queiroz

segunda-feira, setembro 04, 2006

Sobre a chuva...


Veja!
Agora esta paisagem líquida:
As nuvens se quebrando no mar enquanto as ondas se dissolvem no céu...

(Marla de Queiroz)
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sábado, setembro 02, 2006

nAMORo.



Foto:Susana Catarina Antunes Correia

Eu não estou só. Estou plena da minha existência, completa e adornada pela minha própria essência.
Eu encontrei casa na minha alma e o cuidado que tenho com o meu corpo é a consciência de que ele é o veículo que me leva até você com a pedra bruta e com tudo que consegui lapidar.

Eu não estou só. Estou em solitude, numa relação diferente que me impede a fuga do olhar pra dentro. O outro já não me serve como arreio pelo respeito que tenho por mim e por ele.Estou acompanhada por uma autoconfiança que foi pura conquista, negociação árdua com a minha auto-estima que oscila. Estou envolvida e apaixonada pelos meus processos. Erotizando os meus momentos de encontro com a palavra, com a linguagem, com as falas do meu corpo.

Eu não estou só. Apenas resolvi namorar a poesia, o vento, as pessoas todas que cabem num verso. Eu brindo a mim, a você, a nós que somos tão frágeis e que, no entanto, encontramos conforto numa força que surge do mais íntimo da gente pra continuar caminhando. Estou me relacionando cotidianamente com o que meu pensamento estabelece pra mim. Sei que vem dele os meus merecimentos.

Eu não estou só. Simplesmente estou em casa.
Estou na-morada, eu sou a minha doce nAMORada.

(Marla de Queiroz)

sexta-feira, setembro 01, 2006

Retrato Instantâneo

Foto:Paulo Medeiros

Atendendo ao pedido da minha Bela-Amora-Minha,
Vou postar aqui seis coisinhas sobre mim e depois escolher algumas pessoas pra fazer o mesmo.

1-Eu tenho tanto medo de altura que já deixei de conhecer cachoeiras incríveis por causa da trilha cheia de penhascos. Sinto calafrios só de imaginar um abismo. Tenho pavor de ver fotos com pessoas no topo de algum lugar muito alto. Fico desconfortável quando alguém que não tem esse medo encosta numa varanda ou janela de algum apartamento acima do 4° andar, onde nem chego perto...Por isso conheço mais as paisagens internas...

2-Um dos meus momentos mais incríveis são aqueles em que estou em casa com uma garrafa de vinho, uma musiquinha bem suave e um texto pronto pra parir...Adoro esse momento de solitude, de exílio voluntário, de ficar fuçando as idéias jogadas na página em branco até casá-las e dar a elas algum sentindo, algum lirismo... O momento de escrever um texto é, para mim, o mais pleno, mais angustiante, mais delicioso.Sento em frente ao computador sem a menor idéia do que vai sair e vejo as pétalas brotando, uma-a-uma...Fico completamente absorta e fascinada. Sou pura entrega nesse processo, como num orgasmo.

3-Tenho 300 melhores amigos de verdade. Homens, mulheres, gente bem mais jovem, bem mais velha, amigos virtuais, enfim...E me dedico imensamente. Morro de ciúmes, morro de amores, morro de cuidados, morro de saudades...Cada dia acordo mais apaixonada por cada um e fico horas pensando num texto pra presenteá-lo. E quando começo a escrevê-lo, sempre, sempre choro toda emocionada falando do amor, da importância...E quando acordo com maus pensamentos, passo numa floricultura e mando flores pra qualquer pessoa que me vem à mente porque sei que o destinatário quando recebê-las vai vibrar numa energia amorosa tão grande que eu vou me conectar a ela e transmutar a minha. Uma das tantas alternativas que a criatividade nos oferece pra nos melhorar.

4-Sou muito, muito intuitiva. Todos os meus sonhos são como premonições e recebo sinais a todo momento. Às vezes, só de olhar pra uma pessoa (mesmo desconhecida), sinto quando seu coração aperta (aprendi a ter essa conexão com um poeta profeta e nunca mais falhou).Às vezes acordo com uma tristeza que sei que não é minha e fico angustiada até descobrir de quem é...Daí, eu estar feliz e escrever textos que doem. São minhas palavras, não minhas dores. Ou vice-verso.


5-Quando leio um autor que me fascina, não sossego até ler toda ou quase toda a sua obra...Nunca me sacio. Meus livros são as coisas materiais mais valiosas que tenho. Por falta de espaço, vou me desfazendo de outras coisas para dar lugar a eles. Quando vou à praia, carrego 3 ou 4 porque nunca sei o que terei vontade de ler durante todo o dia. E leio pros outros.E sempre páro pra escrever uma observação sobre o que li, uma crônica sobre a cena que vejo, uma metáfora que me assalta.Tenho cadernetinhas em cada lugar da casa.Ainda, nunca saio de casa sem um livro. Qualquer um. Escolho o livro pelo tamanho da bolsa. Leio ou releio no ônibus, no trabalho, na fila de espera...

6-Sou intensa demais. Se vou à praia fico até anoitecer, se saio pra dançar só volto ao amanhecer; se me apaixono sou toda aquela Dança do Universo, se a coisa me dói eu sinto a alma descascada exposta ao sol de tanto que me arde, se estou num momento fértil acordo no meio da madrugada pra escrever (quando consigo dormir), minha gargalhada é aquela alta, satisfeita, que sacode todo o corpo, muda toda a expressão do rosto; se choro meu corpo se encolhe até virar botão, semente, num soluço de partir qualquer coração; se me isolo não atendo nem ao telefone, se me socializo sou capaz de juntar diversas pessoas de várias tribos num mesmo lugar. Se vou para um boteco, só volto pra casa quando fecham o bar...


Passo a bola pra:

Cássia

Juliana Pestana

Márcia Xavier

quarta-feira, agosto 30, 2006

Vermelho Trêmulo...



Foto: Capitão Pio.

Tanto faz se faz tanto frio.
Ou se, lá fora,
a chuva obsessiva percorre seus caminhos verticais
e desliza pelo telhado pra nos espreitar pelas vidraças.
Aqui dentro, onde danço acesa
_(me)chamas_
e palavras líquidas encharcam nossos corpos de saliva
nessa eterna brincadeira que inventamos
de apagar labaredas com a língua...
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(Marla de Queiroz)

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terça-feira, agosto 29, 2006

Desordem


Foto: Pedro Moreita

A desordem é completa. O tempo arrancou qualquer certeza e a inquietação é extrema.
Todos os sentimentos confortáveis do passado estão beirando o precipício e nada mais
sacia como antes. Tudo nos condena ao risco, ao desconhecido.
Tudo se rendeu ao caos, ao espontâneo...

Sim, finalmente, vamos começar a nos divertir.
(Marla de Queiroz)
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P.S.: Para Thaís Amormino (amorMEU), minha Borboleta de asas Patchwork, Diva do Borogodó, Personificação da Sofisticação e do Desapego...Coisa mais linda da minha vida, aquela que um dia vai me tirar da cafonice....hahahaha...Na virada do seu setênio, virginiana nata, nada menos que TUDO de mais meticulosamente fantástico pra ti...Certamente vamos trilhar juntas de mãos dadas nossas histórias, delícias, vitórias...O AMOR DO TODO! SEMPRE!!!

domingo, agosto 27, 2006

Da transmutação...ou adaptando Drummond.

Foto:isah

Eu não sabia, mas morava no seu mais profundo segredo
como alguém que rouba uma história que já tem dono.

Tinha cinco pedras na mão quando foi ao meu encontro...
Mas no meio do caminho, tinha uma flor.

(Marla de Queiroz)

sábado, agosto 26, 2006

Sem assunto...



Foto:isah

_Quando você disse que me amava, quis dizer o quê?
_ Que eu estava ofegante.

(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 25, 2006

Da sedução...



Foto: isah

Bolinei, bolinei, tentei seduzir e nada...
Do texto que não vingou, ficou a descoberta:
a palavra orgástica não admite tutelas.

(Marla de Queiroz)




quinta-feira, agosto 24, 2006

Pequeno delito



Foto:isah

_Você roubou isso!!!
_Sim, roubei.
_Mas isto é um beijo! DEVOLVA JÁ!!!!!!!!!!!

(Marla de Queiroz)
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quarta-feira, agosto 23, 2006

Pra você.


Foto: isah

Eu também não queria que terminasse assim....Das sementes que plantamos nasceu esse girassol nublado...E quando as flores choram, as nuvens se assustam num grito de trovões...E eu sempre preferi o céu riscado por estrelas cadentes a relâmpagos...

(Então sejamos aquela ausência no outro que não dói. E um pedaço de lembrança boa...E mais um aprendizado, pra aumentar o pedaço.Porque minha memória só funciona pra enfeitar, nunca pra denegrir uma pessoa)

Marla de Queiroz
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P.S.: Faz de mim, em tua memória, aquilo que lhe flor mais conveniente...Mas lembre sempre, por favor,que a simplicidade me custou tudo o que eu tinha.
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terça-feira, agosto 22, 2006

Um girassol nublado...ou as marlaridas também adoecem.


Foto:Rubem Graça

Cuida de mim, meu amor...Que estou frágil e já não me seguro na alegria da saúde, estou completamente debilitada. Meu corpo inteiro dói e arde em febres pedindo os cuidados que você não achou espaço pra me dar ainda.
Cuida de mim, que eu te faço meu tutor, meu condutor nesta Dança do Universo que eu tanto divulgo porque o Outro me ensinou....Cuida de mim, venha me convencer que engolir um comprimido imensamente redondo é necessário de 8h em 8h, porque você me quer ver novamente com as bochechas coradas e com o olhar vivo depois da tua sopa de beterrabas...Cuida de mim porque estou disponível e mortal, sem a menor das minhas arrogâncias e defesas já que todo meu corpo se resume em espirros e calafrios.....e isso é tão definitivo agora. Porque essa minha febre é um desejo desabafando...
Cuida de mim e aproveita pra ser eterno nesse instante em que eu me dou assim, esse fiapo de gente, numa dependência que de outra forma você jamais conheceria...

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Sobre algumas músicas

Foto:isah

Porque algumas músicas apertam meu coração numa dorzinha boa, sabe? Aquela saudade de alguma coisa, alguém ou algum lugar que você não conhece?

E ainda este solo de gaita : instrumento dos mais solitários que conheço e que quando faz um solo, assola meu coração num mergulho longe, fundo, num desconhecido tão familiar.

Aquela solitudezinha que me faz cruzar os braços de olhos fechados pra abraçar a mim mesma. Sem tristeza.

O corpo todo reagindo , sob o efeito da harmonia.Um monte de coisas borbulhando por dentro.
E os olhos fechados visualizando as notas numa partitura dançante.

Tudo é movimento e entrega.

E eu caso tão perfeitamente com a música, que quase me transformo num instrumento.
Porque algumas músicas, tiram nossa alma pra dançar.

(P.S.: né, Cassinha?!)

(P.S.2: Escutando Stevie Wonder e Marvin Gaye e etc e tal que minha Borboleta Verde gravou pra mim)

Marla de Queiroz

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sábado, agosto 19, 2006

SEDE



Foto: Margarida

Sedenta

como uma vitória-régia abandonada na areia.

(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Reflexõs sobre a amizade...ou o resto de um texto que estava muito longo.

(Foi preciso que eu estivesse aberta pro que pudesse doer ou fazer rir. E lembrasse da criatividade que oferece diversas mil outras possibilidades. Foi preciso que eu soubesse seduzir pra poder falar de coisas sérias sem nenhuma sensualidade. Foi preciso, mais do que qualquer coisa, que eu me achasse merecedora da alegria e do amor que estavam disponíveis. Porque ser feliz é um aprendizado).


Eu nunca fiz amigos tentando ser interessante. Todos os amigos mais íntimos que fiz foi porque me interessei verdadeiramente por eles. Me interessei pelo que doía, pelo que o fazia gargalhar, pela forma como banalizava histórias tristes, pelo jeito com que dramatizava fatos aparentemente banais...Todo mundo quando descobre certa receptividade no outro abre seu coração com tamanha generosidade, que fica difícil não fazer o mesmo. Porque a escolha é sempre nossa. A gente se abre, o outro percebe e se abre simultaneamente_ sempre nessa expectativa do encontro. E quando flui, tudo nos parece mágico.Mas depois vem o que fazemos com tanta informação, com aquela confissão, com aquele momento de entrega. É isso que vai solidificar o que quer que tenha começado. E quando isso não é um dom, é um exercício.

Sempre tenho a impressão de que meus amigos têm talento para sê-los. Que são pessoas que nasceram pra essa troca incrível, com esse jeito maravilhoso de encher de sagrado qualquer encontro. Sempre lembro que se fulano (que para mim vive em outro patamar espiritual, emocional, intelectual, etc) me es-colheu, é meu termômetro pra pensar: “vá em frente, você está vibrando na energia certa”!...Isso me faz acreditar mais em mim e a ter vontade de me melhorar diariamente porque sei que o quer que eu faça ou fale, nunca será o suficiente para parar de investir numa relação: o ser humano é dinâmico, está em constante processo de mutação e carecendo de novas trocas.

Com minhas amizades aprendo, inclusive, a me relacionar afetivamente com pessoas mais saudáveis quando reflito: “beltrano, (por quem estou fortemente atraída), seria alguém que eu indicaria para minha melhor amiga ou uma filha?”Quando a resposta é NÃO! O que me fez pensar que seria o melhor para mim???É o tipo de amor que não me deixa estagnar na consciência, mas me leva à ação.

Tudo que eu sou eu devo ao que fui, à minha criação, ao que me doeu longamente, às alegrias que tive, às pessoas que conviveram comigo,aos valores que me passaram e ao que transcendi. Tenho tanta consciência da importância do outro na minha vida que digo que sou viciada em gente: com seus problemas, suas virtudes, sua simplicidade, ou complexidade, com sua disposição pro amor ou a sua dificuldade de. Porque eu sempre vou encontrar casa numa característica, qualidade ou defeito do outro, nem que seja pra rejeitar naquele momento e me sentir superior ou inferior. Tudo é instrumento para que eu me trabalhe quando me deixo vir à tona através das projeções que faço.

Não sou uma pessoa fácil, embora quem me veja, ache que sim. Às vezes me alimento das belezas que as pessoas me dão ou me desprezo quando me rejeitam.Sou exagerada em tudo:oscilo demais, fico melancólica demais, alegre demais, agressiva demais, doce demais, carente ao extremo, independente além da conta. Mas sempre tento estar atenta a minha responsabilidade, a ter o cuidado de dizer ao outro que o processo é meu, o problema é meu ...que ele me trouxe à tona e que às vezes no primeiro impacto isso pode ser assustador. Porque a honestidade sempre salvou as minhas relações e me permitiu ser amada sendo quem eu estava, porque somos o que estamos.

Depois descobri que a gente se desilude com amigos sim, mas que ninguém tem tanta força pra me ferir. Só terá se eu der a ele esse poder. E que quando abraço uma pessoa inteira( porque eu, sinceramente, não consigo abraçar sem entrega), sei que estou trazendo pra minha vida uma pessoa com tudo o que ela tem dentro: seu passado e tudo o mais que a formou além da essência. E acredito tanto na minha intuição e na minha sensibilidade que confio que sempre haverá a troca_ de um jeito torto, truncado ou fluido_ eu só dependo da minha criatividade: com ela eu escolho se usarei meus vazios e minhas decepções pra me lamentar ou como espaços que eu tenho pra crescer ou, ainda, se saberei aceitar amor e confiar simplesmente.

É por isso que críticas podem até me baquear, mas não me desnorteiam e que elogios me nutrem, mas não me envaidecem (mais)...

Porque nunca fiz amigos tentando ser interessante...nem bebendo leite....hahahahahahaha (brincadeira das mais tolas num texto sério como este, mas eu não resisti! Porque é verdade!hahahaha)

Marla de Queiroz

quarta-feira, agosto 16, 2006

Violetras


Foto: JRenato

Ao som de violões e vozes
dançam violentas
_as letras_
de violáceo vinho
e violentos roxos
brotam
doces
VIOLETRAS
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(Marla de Queiroz)

terça-feira, agosto 15, 2006

Fase Nova...Ou a vida me revelando todas as suas possibilidades de cura.


Com Licença (poética), eu vou à luta!
Quero que a vida caiba inteirinha no meu sol-riso!
(Porque, segundo o André meu amigo blasè, eu não rio: eu gargalho rios!)
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Seguindo em frente...



Foto: Tatas del GOSTs

Então eu sigo em frente deixando pra trás Brasília quase severa e grave, destituída de sensualidade e lascívia, aconchegando timidamente com seu toque seco e breve.
Brasília quase nua mas cheia de pudor, povoada por espaços, seus caminhos habitados por folhas e ventos e aquela água tão doce...E intrigando com um mistério muito seu de ampliar o céu, exagerar o tamanho da Lua,abarrotar as cores do pôr-do-sol de tons quentes...Pra aprender a seduzir.

As pessoas, singulares, intimamente encontradas.

E, depois, ele...

(Marla de Queiroz)
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*P.S.: Dias incríveis, alegrias e encontros inenarráveis...Ainda digerindo, sentindo, organizando...Ainda rindo sozinha...
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segunda-feira, agosto 14, 2006

" Eu vejo flores em você"



Foto: João Estêvão A. Freitas

Copos-de-leite
Taças-de-vinho
Cravos-de-vidro
Cacos-de-lírios
Flor-do-cerrado
E um amor-perfeitinho...
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(Marla de Queiroz)