Licenças Poéticas, prosa incerta, poesia em linha reta, versos que dançam fora da forma do poema, mas dentro do corpo do poeta.
terça-feira, maio 29, 2007
TALVEZ...ou repensando a minha vida*
domingo, maio 27, 2007
Vislumbrando complementos

sexta-feira, maio 25, 2007
Vislumbres
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Marla de Queiroz
segunda-feira, maio 21, 2007
Visita clandestina
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quarta-feira, maio 16, 2007
Sobre resgates
Foto: Rafael Soledade MatosMinha poesia nada mais é do que a tentativa de resgatar
domingo, maio 13, 2007
Domingos

são dias eternos, lentos, arrastados pelas suas mal-contadas horas.
Têm resquícios de amores passados, ensopando manhãs.
Têm arestas de indecisão ampliando seu quebra-cabeça incompletável
pra esticar as tardes.
Têm contradições e desperdícios,
não têm conclusões, só indícios.
Domingos adiam suas noites pra causar impacto.
E quando nos acostumamos depois de ter andado entre sonhos,
entre livros, entre bares, entre tédios, entre ansiedades,
Domingo, tal qual o mar, anuncia sua ressaca:
uma segunda-feira vingará.
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Marla de Queiroz
quarta-feira, maio 09, 2007
Canção

Há tempos são meus teus escritos,poemas roubados de um pressentimento.
E a poesia que virá,qual história contará que ainda não conheço?
Eu já fui ferida, feri e curei.
Eu já fui amada, amei e perdi.
O que há de tão grave na dor para que se tema tanto, sempre?
O que há de tão nobre no amor,para que se queira insistentemente?
E o que há em comum entre os dois para que, vezenquando, se complementem?
A falta de emoção é que me deixa inóspita.
A inapetência é o que nos inquieta.
Não preciso saber pra onde vou, apenas com quem.
(Eu sei seguir só,também.)
O que pode ser tão frágil que precisa ser guardado numa caixa de silêncios?
O que pode ser tão forte que precisa ser exposto nessa vitrine de gritos?
O que pode ser tão raro que não possa ser incluso na lista dos desapegos?
(Sei que maio desliza entre as pernas nos convidando a apressar o passo.)
Então canta no teu violão aquela canção tão antiga, filha das nossas tardes.
E eu repito com você o refrão em que dizes:
Não consigo recordar
mas inda arde em mim
domingo, maio 06, 2007
quarta-feira, maio 02, 2007
A Vida Tem Dessas Coisas...

(Desses recursos que os amantes esbanjam)
Porque amar mesmo só se sabia assim: largo, dentro, na parte mais vasta,
com todas as esperanças castas e os gestos despidos de qualquer resquício de medo.
(Dessas sabedorias que o perdão nos dá)
Permitir-se tanto era como se a casa do seu corpo fosse visitada todos os dias pela alegria.
(Dessas coisas que um corpo sabe escrever no outro)
Ele, o mesmo, o de sempre, de repente, revelando-lhe belezas tão inéditas e
sensualidades que não estavam submetidas à posse.
(Desses encontros que duram)
Tinha tanta alvura naquele sentimento como quando os anjos da guarda de um casal
(Dessas magias)
E o sol que provavelmente estaria lá fora, ela via nascer por dentro.
(Dessas coisas que acordam o dia mais cedo)
Foi didática enquanto o amava.
(Dessas gramáticas do corpo)
Era uma querência já sem desespero, mas intensa.
(Dessas coisas que viram música)
Estavam felizes sem modéstia ou culpa,como se as flores fizessem aniversário.
(Desses momentos que esmagam antigas tristezas)
Eles, o dia, inteiros,a noite,intensos, a madrugada, nus:
e o experienciar de todas aquelas emoções sem títulos.
(Dessas coisas que não se abrevia, que se eternizam)
quinta-feira, abril 26, 2007
Quando o MUITO vira APENAS

Eu não estava alegre, estava irônica.
Eu quis que a vida me mostrasse
todas as outras reais possibilidades.
E esfreguei os olhos pra desembaçar
E precisei de muito tempo pra estar junto
e entender o que era só distância.
Eu tive muito tempo pra saber
que já era a hora da mais completa desistência.
E, reavaliando desde o início,
o que eu chamava de amor,
era só rima.
O que eu chamava de poesia,
era só vício.
(Saber a hora de ir embora é coisa que só o tempo aprimora.)
domingo, abril 22, 2007
Encarcerada

sábado, abril 21, 2007
terça-feira, abril 17, 2007
Abraço Refeito

Nesse tapete dourado
de folhas despencadas das amendoeiras.
Vamos tocar nas flores
suadas de orvalho e perfumadas pelo sol.
Vem caminhar ao meu lado
até que seja estendido
o varal de estrelas na cabeceira da noite
ou que possamos beber
desse trecho de chuva que amadurece ao relento,
na madrugada.
Vem caminhar ao meu lado, braço dado,
deixando esquecidas no vento
nossas palavras machucadas.
Vamos refazer a solidez
daquele início do capítulo
em que éramos tão lúdicos e líricos.
Eu escrevi uma narrativa de tanto amor,
por favor,
não rasure a minha docilidade.
sexta-feira, abril 13, 2007

Aproveitou o ápice da sua agonia e, num impulso, disse tudo numa sensação só:
“A partir de hoje, não sou mais tua mulher, decidi gostar de outro”.
No início ele riu da ousadia, mas o silêncio que ela fez em seguida preencheu
de sinceridade aquela novidade.
“Você ficou maluca, de onde tirou isso?”
“ É que você nunca gostou de mim no grosso mesmo do sentimento...sempre foi essa coisinha aguada e mal-cuidada,água parada esperando doenças...”
“ Mas ninguém decide que vai gostar de outro de repente e, simplesmente, começa a gostar!”
“ Ah, mas eu decidi...Ele vai realizar um sonho que tenho comigo desde menina:
ele disse que vai gostar de mim bem do jeitinho que eu gosto de você.
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segunda-feira, abril 09, 2007
Inundação

Luz amena e sussurros de Cazuza numa gravação doméstica antiga.
quinta-feira, abril 05, 2007
Desvario

Coração desata em peito-ardências
um desejo de correr e de ficar,
urgências.
Poesia escorregadia
esperando um descuido da tensão.
E eu aflita, tão afoita
trocando meu reino
por qualquer bocadinho de razão.
Em noites de lua cheia,
Reações exageradas
descompensações fatais,
versos afogados,
antecipando finais.
(E essa insônia perpétua fazendo curvas nos cílios das horas)
quarta-feira, abril 04, 2007
sábado, março 31, 2007
Panorâmica
Os passos suaves porque os caminhos são de delicadezas:
Na borda do dia,uma gaivota atravessa a retina do sol.
Calor de vento mudo, temeroso de árvores alvoroçadas.
Lua abarrotada, leitosa, amamentando estrelas-bebês.
A maré cheia de poemas do Drummond sentado, no meio do caminho.
Um casal deitando poesia na areia.
Uma flor arrancada enfeitando o asfalto.
(Uma nuvem preta sozinha não faz temporal).
E uma joaninha descrevendo a paisagem pro poeta.
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Marla de Queiroz
quarta-feira, março 28, 2007
SOL & CHUVA...(língua-de-fogo e olhos-d'água)
I-SOL...ou língua-de-fogo
Embriagada de sol
danço feito labareda
nos teus braços-ventania.
Inquieta, lambo teu corpo
bordando incandescências
na tua pele-foco-da-minha-sede.
É quando cedes.
E gemes alto
com meu gozo caudaloso.
E consumado o ato,
nos consumimos doces
feito incenso.
Incautos,guardamos o perfume
da nossa febre
numa caixa de fósforos
molhados.
II-CHUVA...ou olhos-d’água
Embriagada de chuva
danço feito lágrima gorda
abrindo caminhos em teu rosto.
Trêmula, corro tua face
procurando colo em teus lábios.
E desenho uma emoção
nos teus olhos ausentes.
É quando sentes.
E gozas insubmisso
ao meu gemido abafado.
E confirmado o fato,
nos consumimos cáusticos
feito um veneno.
Cautos, guardamos o antídoto da picada
na caixa d’água da nossa casa.
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Marla de Queiroz
domingo, março 25, 2007
Mais do mesmo...ou frases sobre fases.

(Meu mestre é o Sol).
Já entrei em túneis, já nadei no fundo do poço e tive medo do mar.
Hoje,para mim, nada é tão mágico quanto uma nuvem.
O que uma borboleta faz num poema, me embasbaca.
O que uma estrela cadente pode trazer de esperança, me emociona.
Uma árvore enorme brotar de uma semente, me fascina.
O potencial que um afago tem de trazer vida prum corpo desanimado, faz de mim afetivamente ativa.
O que há de nirvana num gozo, sacraliza o sexo, o transforma numa comunhão com outro corpo.
O que há de escravidão num desejo, me faz construir mantras de libertação enquanto caminho.
as flores falam tanto mais que as palavras...
Sou um ser de amor: hoje, andando por uma feira, me enamorei perdidamente pelo cheiro e pelas cores das frutas e folhas...mas tenho rejeição pelo peixe morto, imóvel e cru.
(Estou pateticamente apaixonada por um crisântemo laranja).
Doutrino meus pensamentos pra ser uma pessoa boa e positiva,
posto que sou tão humana e inacabada.
Às vezes desapareço da vida de alguém com a mesma intensidade com que surjo....Depois eu volto.
Eu não acho a lua mais importante que eu.
(O Sol é meu mestre).
Eu não acho ninguém menos importante que o Sol.
(Tenho muitos mestres).
Meus livros têm os vestígios dos passeios que fazem comigo:
principalmente grãos de areia entre as páginas.
Meus olhos têm os vestígios das vezes em que amei e fui muito amada:
principalmente um brilho.
Por isso eles sorriem quando a minha boca.
Um dia eu escrevi assim:
“ a partitura imóvel em cima do piano fechado...”
( Não sei que falta de emoção me trouxe esta imagem).
quarta-feira, março 21, 2007
Irreversível.

Tive ímpetos de escrever uma carta falando das qualidades dele, de tudo que havia me feito crescer. Mas quando fui escrever só consegui dizer: desculpe, não se pode negociar com a paixão.Porque eu também não entendo às vezes esses caminhos que a vida tece.E nós que morávamos um no outro, ficamos sem casa.
Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho.
domingo, março 18, 2007
Silêncio

E as emoções carcomidas pela falta de.
Fica um embrulho vazio na garganta, eu sei.
Uma bolha de angústia.
O corpo sem responder a qualquer resquício de otimismo.
Nenhuma palavra escorre pros dedos,
mas a mente inquieta.
Silêncio...
Se tem dor dormida dentro,
brasa acesa que não aquece.
Dormência fora, encontro de insônias.
Cansaço sem lugar pra encostar o corpo
por causa do vazio atrás e dentro.
Eu sei como é .
quarta-feira, março 14, 2007
Espelho
nas flores espargidas nos lençóis de algodão-doce,
jogando os travesseiros de nuvens-fora-cama,
fazendo do meu quarto-templo de quem ama.
Eu gosto tanto de você tocando o meu corpo
(quase sem seus dedos)
olhando nos meus olhos
(como quem captura um segredo)
Poeta procurando apelidos pro desejo.
Eu gosto tanto de você
com todos os seus dramas, vírgulas, quebras de páginas,
reiniciado em seus capítulos, revisitado em suas mágoas,
redescoberto no que há de tão melhor num SIM!
(Eu gosto tanto de você... quando você gosta de mim!)
domingo, março 11, 2007
Brain Storm

pra desocupar os dedos e colorir uma frase com a cor toda.
Fiquei foi com o perfume na boca enquanto tamborilava no teclado
qualquer coisa assim, meio sem harmonia...
O sol que arregaçou o céu de azul deu uma trégua há pouco
pra destacar o colorido das borboletras...
(Esse é todo meu assunto de hoje).
Porque tem dia que o silêncio intercalando é como o céu que nubla
pra destacar o colorido das frases.
Vem, que tem beijo perfumado.
(Essa saudade trêmula).
sexta-feira, março 09, 2007
Eu e (alguns dos)meus homens...ou rapidinhas.

Foto: Fernando Figueiredo
Li Platão pra saber que não quero amores platônicos e que a vida real não está no mundo sensível, idealizado.
Aristóteles me ensinou que a metafísica de um relacionamento me seduz mais que a própria química ou o físico.
Descartes me deu a deixa do “gozo, logo existo”.
Quando Sartre me disse que o inferno era o outro, descobri também um paraíso ali.
E Nietzsche matando Deus, me deu permissão pra pecados deliciosos.
(A Igreja me ensinou a pecar).
Hegel era um chato.
Maquiavel me deu estratégias que não usei, não gosto de jogos de sedução, " canso, logo desisto"( Descartes de novo!).
Kant me ensinou que ser racional pode ser bem mais prático que romântico.
Schopenhauer me fez entender sobre a vontade insaciável que nos provoca o tédio.
Já me deitei com Kierkegaard.
Freud me apresentou Édipos, homens que me namoravam porque não podiam casar com suas próprias mães.
Wittgneistein eu abandonei antes de tentar entender.
Heidegger me falou da angústia que nos recolhe e renova.Aprendi muito sobre a autenticidade com ele.
Derrida desconstruiu tudo. Pra Foucault, sexo era phoder!
Mas foi um poeta, Manoel de Barros, que açucarou meu coração com açucenas.
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Marla de Queiroz
terça-feira, março 06, 2007
De-clara-ação de amor

Para: Leandro Jardim
Porque: Ele é meu parceiro de vida, boemia e poesia,companheiro de viagens (em toda a acepção da palavra) e amigo-mais-que-querido-de-todas-as-horas.
Tuas gotas e pétalas já se misturaram aos meus tantos outros livros favoritos.
Tuas sementes-dedicatórias ampliaram meu afeto pelo Barros.
Ainda, o lirismo do verde que o mar derramou no seu olhar de Jardim
e esse teu jeito de fazer a marla-ri-da risada alta de Irene que há em mim.
Nossos livros...Seremos no auge de uma primavera fértil de outubro, SIM?
Porque é sempre tão bom quando atravessamos o dia de mãos dadas
com a tarde-poesia ou com a noite-prosa
pra sussurrar nas orelhas dos livros da Travessa em Ipanema
nossos segredos-poemas.
(E entre as nossas gargalhadas, ensaios de sonhos e
um tempo ,há mais:
nossos melhores abraços-abrigo-anti-nuclear!)
P.S.: Se Beber não dirija!
P.S.2: Obrigada por compartilhar tuas belezas comigo.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Batuque Final

Não havia o desejo antecedendo o abraço dos corpos
havia apenas uns brindes, o tim-tim no bater de vários,
vários copos.
(Nada que não soterrasse um abismo antigo).
Não olhei pra baixo quando me lancei
da altura da nota que sua voz alcança.
(Não gritei de medo por temer também o eco).
E, no rabisco de um passo de dança,
lançamos um tango,
e, no cigarro que acendo pra lembrar a cena,
te trago...comigo.
Nenhum drama, era carnaval:
me fantasiei de transgressora
pra me embrenhar nos teus cabelos com cheiro de banho
e desfrutar do que foi tão bom,
mas que já começou
no batuque final.
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Marla de Queiroz
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
CINZAS DE UM CARNAVAL
“ Você encontrou, finalmente, a sua mulher ideal?”...” Sim, mas a perdi de vista quando não acreditei que eu a merecia”...” E você, amou alguém?”...”Talvez, parece que depois que acaba não se sabe mais ao certo o que nos uniu”.
P.S.: Texto escrito para revista DROPS RIO 2ª Edição.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Sofia De Lira (sobre a raiva)

A inquietação tamanha desses dias todos me arrastou pra praia com papel, caneta e uma raiva enorme de tudo.Cheguei arrastando a cadeira, entediada, e o mar estava mais violento que eu, me redimindo. Tão agressivo, era capaz de engolir um corpo, uma gaivota e de cuspir cristais de sal na brisa doce.(Por que eu deveria estar mais calma que ele?) Fiquei foi com inveja do seu poder de arrebentar tudo com tamanha simplicidade e destreza.E de cuspir o lixo acumulado deixando na areia um retrato dos maus-tratos: restos de plástico, pombos e moscas sobrevoando a podridão.Porque, assim como ele, eu não engulo sapatos.
No meio de toda raiva sendo expulsa, pensei por que não se pode ser autobiográfica ou agressiva sem pedir desculpas com tanta antecedência. Quero só olhar, sem observar, sem absorver.Quero dizer sem atribuir juízos de valor, só pra desabafar.Quero poder sentir essa raiva sem ter que lidar com a indignação de quem me quer doce e positiva sempre porque se acostumou.E depois, quando a raiva for embora, não pretendo me resgatar, mas me reinventar e ficar o tempo que for necessário me redescobrindo...
Não queria ter de pedir licença pra honestidade neste espaço, mas seguindo a moral e os bons costumes, eu peço delicadamente:
Pra você que leu esse texto até aqui, por favor, se pretende comentá-lo ( não quero intimidar ninguém), não me deixe um consolo, um conselho ou termine com um "fique em paz".Não quero que me roubem um segundo dessa fase, desse instinto primitivo, ele é precioso.A paz eu conheço e ela não está ausente, só quero experimentar até aonde meu ser alcança, a totalidade. Eu quero estar plena de todas as emoções pra que elas não me governem, mas passem por mim. Quero me permitir cada segundo desse ranço, porque eu o sei tão transitório quanto o maior dos mais definitivos amores. E se ainda assim quiser deixar o seu rastro, me fale de tua dor, tua alegria, tua conquista, tua pendência, teus planos, tua raiva, me conte uma mania tua, compartilhe tuas belezas comigo para que eu possa aprender com elas.
E me deseje inspiração ....( a única coisa que quando falta, me tira a paz).
PS: Só lamento este texto ter sido escrito num dia de tanto sol.
sábado, fevereiro 10, 2007
Derramamento

Às vezes faço uma faxina lá e mudo tudo de lugar.Não é por maldade, é só vontade de ver um outro ângulo das coisas. Eu não gosto do olhar acostumado.Não gosto de ver um objeto num objeto, porque tudo pra mim tem entidade humana.E gente me tira o fôlego, vejo belezas demais quando amo, e amo sempre e tanto.
Às vezes eu desapareço mesmo, porque fico tão cansada.Fico tão cansada daquele cenário.Fico tão cansada daquele amor.Tão absurdada pelas coisas,me exaspero.Sempre é tanto.É que vivo num derramamento espesso de sentimento.Aí eu mudo o foco que é pra não cansar o outro também.Ou, às vezes eu não quero cuidar da ferida de ninguém, tão cansada que fico.Ou aquela alegria dele merece ser comemorada com outras pessoas porque estou no meu momento pleno de esvaziamento em que até a sedução me cansa.E só a solitude pode me acalmar.Por isso tão pouco escrevo.(Perdoe a carta não respondida).
Por isso durmo antes do sono.
Por isso, às vezes, tudo tão esquisito e ausente em mim.
Não sou sempre flor.
Às vezes espinho me define tão melhor.
Mas eu só espeto o dedo de quem acha que me tem nas mãos.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Sofia De Lira ( a personagem )... ou véspera de um Carnaval.
nos bares com um Bukowski, num filme do Almodòvar,
numa música do Chico Buarque...
Seu despudor faria corar de vergonha Hilda Hilst,
sua sexualidade exacerbada encabularia Simone de Beauvoir.
Todas as tardes ela contempla o dia morrer na beira de um lago
namorando Narciso, esperando Godot.
Ela é aquela cujo sobrenome é verbo.
(Pode ser que alguma coisa dela fique entranhada até doer em você).
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
A eternidade de um breve instante.
E, subitamente,
a chuva se desinteressou pela noite.
Num descuido de nuvens,
sobre o mar,
as estrelas encharcadas foram
rasgando um caminho
e uma lua menininha nasceu com cara de choro.
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Marla de Queiroz
sábado, janeiro 27, 2007
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Previsão do Tempo
A previsão é que com a chegada de uma nova frente fria
o céu fique nublado e haja trovoadas esparsas...
Contudo, o tempo inda é o melhor remédio.
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Marla de Queiroz
domingo, janeiro 21, 2007
Chuva guardada...

Um último abraço, quem sabe, e eu devolvo o que ficou de ti, aqui.
(E você me reembolse essa distância com uma última poesia... ou com algo mais forte que esgote definitivamente esse adeus).
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Aniversário do Doida de Marluquices

Hoje o meu blog completa 1 ano de idade e vou postar aqui o primeiro texto publicado nele.Fiz algumas alterações porque, à medida que fui amadurecendo a escrita, tudo o que escrevi anteriormente me pareceu tão tolo, quase detestável.
Eu tenho um carinho absurdo por este espaço, ele me proporcionou muitas das coisas mais preciosas que tenho hoje: amigos virtuais, amigos reais, inícios e redirecionamentos do fluxo dos sentimentos de relacionamentos afetivos, desabafos, homenagens, enfim,a matéria-prima dos meus textos.
Sem contar toda a troca que tenho com os leitores que vêm aqui e comentam, gostam ou não, e deixam um rastro, um bilhete, uma crítica, um elogio,um beijo. Tudo isso é incentivo pra continuar.Ainda o alívio de poder expor o que pulsa, dói, alaga, sangra, resseca, chove, floresce,brota morto ou semeia...Da delícia de brincar e poder experimentar as diversas possibilidades de (des)construção da palavra.
Então hoje eu reinauguro meu Ano-Novo (que não foi tão bom porque chovia fora e dentro).
Hoje eu vou abrir o dia com um SOL-riso...
Obrigada a vocês que fazem de mim uma pessoa cada vez melhor.
Segue abaixo o meu primeiro texto:
PORQUE EU NÃO GOSTO (MAIS) DE VOCÊ.
Porque você me fez dormir no melhor abraço noturno que alguém me deu e depois deixou meus braços órfãos.Tentou me convencer que estava tudo bem entre nós quando meu coração estava intranqüilo e parou de me ouvir em algum momento em que continuei falando, perdendo a parte mais importante da história.(E eu fiquei sozinha quando você ainda estava ao meu lado)...
Tirou o livro do meu colo pra deitar sua cabeça e absorveu do meu cafuné o melhor calor que havia em mim, mas não me devolveu a paz que eu encontrava na literatura.Visitou a minha casa, preencheu o lado esquerdo da minha cama e foi embora em algum momento sem se despedir, enchendo de palavras tristes a estrofe do meu poema incompleto.
Eu não gosto mais de você porque me fez dançar o bolero de Ravel e cantar com uma voz impecável o melhor jazz que já se ouviu mentalmente, me fez acreditar que os holofotes estavam todos voltados para mim e que você bastava como platéia, mas não me visitou no camarim quando decretou que o show havia terminado...Porque me arrancou a inspiração que eu não tinha, bolinando as palavras pra te escrever coisas doces e depois as esqueceu num canto qualquer do porta-luvas do seu carro quando inda havia um coração palpitando ali...
Eu não gosto mais de você porque me seduziu completa e absolutamente se fazendo deslumbrante quando não estava disponível afetivamente...
E me roubou a solidão, mas não me fez companhia...
*
Marla de Queiroz
quinta-feira, janeiro 18, 2007
A arte imita a vida!
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Desse encontro

Da nossa chuva já nem falo que é fato como fogo e ardências.Eu digo é do amor que sempre esteve e desabrochou com ela.Das flores que você me trouxe pros dias, numa primavera tão perene que já nem caibo nas estações do tempo, nas definições que pontuam os ventos.Eu sei que teu abraço é meu amparo.Já posso saltar no desconhecido com a inocência de uma criança que nunca foi machucada.Porque quando você ri, a confiança me preenche.Então a vida é sábia.E nós a reinauguramos diariamente.
Agora eu entendo que a poesia não é aquela sedução tosca nascida da insegurança de alguém que um dia soube construir uma única metáfora consistente e passou dias embolado na definição de um verso torto que nunca conseguiu desatar.Não é a tentativa de manter uma história irreal que já se sabe, não renderá.Poesia, é esse seu olhar derretido que me dá vontade de dizer: vem meu amor, vem dormir aqui, no meu melhor abraço.
Porque eu mereço o melhor.E você também.
domingo, janeiro 07, 2007
Um presente.

Para Paulo Vigu...porque ele me faz sol-rir com o coração.
Eu te contei, rio?
Eu namoro o vento.
Vezenquando ele me tira pra dançar.
Vezenquando ele me faz ciúme levantando as saias das meninas.
Vezenquando ele sopra pra longe uma tristeza minha.
Vezenquando ele me traz uma saudade.
Eu namoro o vento, rio.
Vezenquando eu fico soprando coisinhas no ouvido dos outros com ele.
Vezenquando a gente tira a tarde inteira só pra ventar...
*
No rio daqui, enquanto a água namorava o barco, eu namorava o vento.
Um dia ganhei um presente do rio: aquele pedaço de céu cheio de passarinhos voando e um punhado de estrelas para quando anoitecesse.
(Nunca mais ninguém me deu nada tão grande).
Quando eu rompi o meu namoro com o vento, o rio não entendeu.
Tive que explicar: "namorar o vento é tão difícil porque não se pode dormir abraçado!"
O vento, desorientado, levou o barco pras águas do mar...
E ficamos tão solteiros e desconsolados que eu dormia ali, naquela margem do rio, só pra gente se abraçar.O resultado disso tudo é que, daqui a pouquinho, quase agorinha mesmo, a gente vai se casar!
*
*
*
Marla de Queiroz
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Pra você.

Esse caboclo quer arrancar da minha pele cada gota de suor guardado no inverno. Eu fico esperando bem do jeito que ele gosta: com os cabelos desgrenhados e florida até os dentes, depois de hidratar os contornos que ele sabe passear tão bem.
Espalho alfazema pela casa enquanto canto a canção que diz “Vivo em teus bosques, bebo em teus rios...línguas de lua varrem tua nuca...eu juro beijar teu corpo sem descanso...”
Ele me ouve longe, diz que tenho voz rouca agridoce boa de ouvir BOM DIA!
(e de deixar o dia bom mesmo).
É que esse seu cheiro de mato combina com minha saia levantada e com meu desaguar intenso:barulhinho de cachoeira violenta logo ali,atrás daquela pedra.
Sei que tem tanto sol na morenice dele que eu deveria me besuntar inteira de filtro solar.
Mas estou tão ocupada, recortando corações de cartolina.
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Marla de Queiroz
domingo, dezembro 31, 2006
Um brinde!
Que o poema-novo inaugure o ano
porque estarei ampliada de desapego
quando estourar a primeira estrela.
Eu só quero continuar sendo merecedora
das alegrias que tenho
e um abraço pra sempre.
Porque se há-braços, é para a abundância deles.
*
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(Inspiração, criatividade pra fazer novas escolhas e um coração sossegado de tanto amor pra todos nós).
quinta-feira, dezembro 28, 2006
ANIVERSÁRIO

terça-feira, dezembro 26, 2006
Verão com vista pro Amar
Assim, toda adereçada de flores pela primavera, foi que a Cidade conheceu o Verão. Ele chegou num dia fértil, arrancando as manhãs da cama mais cedo, desabotoando o suor pra escorrer no decote das tardes, derrubando na areia estrelas maduras. A Cidade o esperava amanhecida, semi-nua, vestida apenas
de luzes, de luas, de chuvas breves, de cio latente, de saias leves contornando as curvas do calçadão. No desaguar de tanto desejo, tudo se transformou em encontro: e os que habitavam seu corpo, com o calor daquele abraço, mergulhavam a língua de sal do suor do mar.
Seguiram compondo cenários, amando-se embaixo dos Arcos, dos Circos, aplaudindo o pôr-do-sol, amanhecendo pelas praias antes que o mesmo acordasse, até vê-lo surgindo, sonolento ou inclemente, cumprindo seu ofício, brilhando como os fogos, mas já sem artifícios. E num Janeiro que nem era sobrenome do tempo, mas da Cidade, onde a música e a cultura se misturavam diversos, viram-se naquela tarde meio chuvosa desejando experimentar a matiz das possibilidades.
E a Cidade resolveu cair no samba, já era Rio com ânsia de mar. E o Verão atormentado de ciúme resolveu chover sua fúria. Mas a água que vertia dos seus olhos era doce e ampliou as conseqüências do seu desespero: os convidados da festa carnal bebiam, brindavam, comemoravam cantando a plenos pulmões, com as veias do pescoço saltadas, aquelas músicas que inundavam de saudade lúdica.
Desencontrados enfim, após a ressaca da quarta-feira cinza, na dança das fantasias, um o Frio, a outra a Serra, atraíram-se sem saber segredos que escondiam máscaras.Deram-se as mãos e brincaram na avenida. Atraídos pela sintonia de suas fantasias, rodopiaram, dançaram e foram abençoados e lavados de poesia e lirismo pelas quentes e torrenciais Águas de Março.
BY: Marla de Queiroz
Texto publicado na primeira edição da revista DROPS MAGAZINE
do Rio de Janeiro.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Poema que não alcança o gosto
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Na-morada

Eu vou morar em você
e arreganhar todas as frestas
pra que o tamanho do seu abraço
seja também o da sua entrega.
E a gente vai viver de arredondar palavras,
de deixar traumas pra trás, sobre as calçadas,
de escrever poemas sobre flor
e acordar dizendo:
Bom dia, Marlarida
Bom dia, Girassol
Boa noite, meu amor!
*
*
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(Marla de Queiroz)
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Rotina
Quando ele me beija ao se
despedir pelas manhãs,
remoça meus desejos de chuva
e feriado.
Quando ele me beija
antes do abraço noturno,
tece faíscas de sol
nos meus sonhos.
Quando ele me beija
nas madrugadas acesas de amor
tira dos meus ais uma rima bonitinha e simples
como quem enrosca nos meus cabelos
a florzinha mais singela que se chama:
meu-amor-não-te-abandono-nunca-mais.
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sexta-feira, dezembro 15, 2006
Completude...

É dia, mas o ar riscado por fios de noite. Parece que vai escurecer tanto.
A voz velada do meu medo te chama pra perto, disfarçando o desespero rouco.
A vontade de te ver incendeia os olhos, a paixão encorpando a saudade.
Porque eu lembro e aperta.Eu lembro tanto e sempre. Mas trocaria a sensualidade que me arde na terra do corpo por um mar de ondas amenas onde as gaivotas se alimentam...
A paciência que havia foi esquartejada, amiúde, pela indecisão. E a única palavra que sobrou já veio espessa de tristeza, camada grossa de agonia, angústia fina penetrando a carne dos olhos. Bom seria se se pudesse dizer adeus sem perder a calma.
É que mesmo os melhores finais inda doem.
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(Mas um segredo que quero revelar é que um dia eu quis dizer que amava tanto,
















