
O poeta dispensa a caneta pra contemplar. E, como quem se ilumina por uma alegria secreta e sem barulho, levanta da pedra e, súbito, segue à procura do Tempo que se desinteressou pelas horas.
(Agora, só um caderno abandonado completa a paisagem).
Licenças Poéticas, prosa incerta, poesia em linha reta, versos que dançam fora da forma do poema, mas dentro do corpo do poeta.

Foto:José Gama
Foto: Ana Meireles


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Foto: Rafael Soledade Matos













Foto: Fernando Figueiredo
Li Platão pra saber que não quero amores platônicos e que a vida real não está no mundo sensível, idealizado.
Aristóteles me ensinou que a metafísica de um relacionamento me seduz mais que a própria química ou o físico.
Descartes me deu a deixa do “gozo, logo existo”.
Quando Sartre me disse que o inferno era o outro, descobri também um paraíso ali.
E Nietzsche matando Deus, me deu permissão pra pecados deliciosos.
(A Igreja me ensinou a pecar).
Hegel era um chato.
Maquiavel me deu estratégias que não usei, não gosto de jogos de sedução, " canso, logo desisto"( Descartes de novo!).
Kant me ensinou que ser racional pode ser bem mais prático que romântico.
Schopenhauer me fez entender sobre a vontade insaciável que nos provoca o tédio.
Já me deitei com Kierkegaard.
Freud me apresentou Édipos, homens que me namoravam porque não podiam casar com suas próprias mães.
Wittgneistein eu abandonei antes de tentar entender.
Heidegger me falou da angústia que nos recolhe e renova.Aprendi muito sobre a autenticidade com ele.
Derrida desconstruiu tudo. Pra Foucault, sexo era phoder!
Mas foi um poeta, Manoel de Barros, que açucarou meu coração com açucenas.
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Marla de Queiroz


P.S.: Texto escrito para revista DROPS RIO 2ª Edição.


E, subitamente,
a chuva se desinteressou pela noite.
Num descuido de nuvens,
sobre o mar,
as estrelas encharcadas foram
rasgando um caminho
e uma lua menininha nasceu com cara de choro.
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Marla de Queiroz