
Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.
Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.
Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...
Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...
Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”
*
*
Marla de Queiroz
19 comentários:
Desculpa, ia tentar....mas não sei comentar a perfeição!
Vc , ás vezes, eu acho que não existe. Coisa sinistra como me adivinha.
Obrigado, Marla.
A única coisa que me sobrou pra dizer.
lindo lindo lindo
adoro tudo que escreve
porque toda palavra sincera
forma a mais bela poesia *--*
Marla, hoje vc me deixou embasbacada!! Não que não deixe sempre, mas exatamente essa semana estava pensando em "renunciar" algo.... Mas, como vc diz, "é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço".
Voce nasceu com um dom maravilhoso; espero que cada vez mais pessoas conheçam seus textos, pque são mais que perfeitos!
beijão
Caramba... vc disse tudo e mais alguma coisa.
Muito bom o texto.
Beijos
Marla, minha querida!
A cada dia me encanto sempre mais com seus textos, incrivel como me identifico muito com vários deles.
Parabéns viu?
Mais sucesso, sempre.
Beijão
Doeu na alma de tão verdadeiro e belo! Tb não sei comentar a perfeição.
Pôxa! Parabéns!
Quase choro, mas temi que o choro não cessasse :)
Não é um processo rápido, nem tão fácil, mas digo que possível...
Mas a renúncia muitas vezes abre umas portas que já estavam destrancadas, mas a gente não se permitia ver.
Boa sorte a você e a todas, como eu, em processo de renúncia! E que o sol se abra num lindo dia mais uma vez!
Vi seu blog numa comunidade do orkut! Mto legal! Esse seu ultimo texto tem a ver com o meu mais recente post sobre saudade... a saudade que a gente escolhe sentir qdo decide terminar uma relacao... saudade perto que dói mais que saudade longe....
Voltarei mais vezes!
bjos
Eu renunciei algo há alguns dias... eu renunciei a dor, a espera interminável e a toa, o amor derramado, desperdiçado, a baixa auto estima e o mendicância pela esmola do amor... e sabe... lendo seu texto... masi uma vez... vc olhou aqui por dentro de mim... e de todas as pelavras que soaram como batidas agressivas de sinos... me chamou atenção esse novo sentir ao qual eu ainda não havia dado nome algum: "E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão."
Agora eu sei... é isso então!
Beijos carinhosos!
Obrigada pela inspiração que nunca morre em ti e que desperta em mim...
Cara...vc é qse perfeita!! Qse pq só Deus o é...enfim, parabéns pelo talento!
Gde bjo d uma leitora nem tão assídua, mas sempre impressionada!
Vou usar as palavras da Mandy..."vc olhou aqui por dentro de mim". Disse o que eu sinto e eu li no momento certo. Obrigada por nos encantar semopre!
Hum.
Lágrimas nos olhos.
Mais um vez o inexplicavel de você dizer meu presente. O que preciso ouvir, exatamente.
Enfim.
Um beijo.
Marla , eu vive uma renúncia dolorosa há exatamente 5 anos atrás e me sentir exatamente como vc descreve, foi a maior dor que já sentir na minha vida.
Mas hoje eu vou renúnciar a presença de toda uma família ( a minha ) em busca de um sonho.
E vivo de uma maneira única, cada gesto virou uma despedida.
A renuncia quando acontece de supresa doi muito, quando vc vem preparando aproveitando é mais fácil.
E vc sempre mexendo com meu coração, com seus lindos textos. Depois vc minha vida se tornou mais florida. Bjãooo
Assustadoramente perfeito Marla.
Bjim***
Sem palavras vagalumezinho…
Como suas palavras são atemporais...eu te leio como se você tivesse escrito hoje, pois hoje te vejo com esta mesma leitura da vida...
Obrigado por existir, pode soar muito piegas, mas que eu agradeço, agradeço!!
Beijos
Edson
Sem palavras para descrever tamanha beleza e verdade. Acabei de fazer uma renúncia, e o texto veio na hora certa.
Cheguei até aqui através de um link no facebook. Obrigada a quem compartilhou o link :) Linda quinta-feira !!
Postar um comentário
A poesia acontece quando as palavras se abraçam...