sexta-feira, fevereiro 24, 2012

ENCONTRO

Foto: Eu mesma!
Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim. Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão...Caminhamos juntas: eu comigo mesma!
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Marla de Queiroz

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Foice, o tempo.


Foto: Desconheço o autor


Você me pediu perdão como se pudéssemos remover com uma borracha nosso pequeno e trágico passado. Mas eu te perdoei porque não consigo gastar um átimo de segundo da minha existência guardando qualquer sentimento por você. E para te perdoar, precisei perdoar também a mim mesma pela armadilha que criei quando eu estava triste e desorientada demais para achar que você pudesse me dar qualquer tipo de direção e desabei nos seus braços e me deixei levar pelas suas mentiras caudalosas. E você, com sua personalidade nociva e perversa, e por viver tão afundando na ignorância de ser quem é ainda pensou que ser perdoado era um passaporte para qualquer tipo de aproximação. Não. Agora eu tenho sanidade para fazer escolhas certas e não estou mais frágil como antes. O que você me causou e as consequências graves que tive que administrar sozinha, por causa da sua covardia, me fortaleceram de tal forma, que o meu horizonte interno se ampliou no peito e nos olhos e o meu tamanho teve que ser aumentando para comportar tantos aprendizados. Por isso, a pessoa que consegue te perdoar hoje, não é a mesma que você feriu com toda crueldade que eu não sabia ser possível num ser humano considerado socialmente normal. O mal que você tem feito a si mesmo, não é mais problema meu e a minha presença seria um presente dado a alguém que não tem a menor condição de receber o que é bom. Eu poderia ter ajudado você a se lapidar com a minha predisposição para o amor. Mas você, acostumado a viver na escuridão, não soube suportar a minha luz.
Espero que encontre alguma paz se algum dia conseguir e quiser viver dentro da honestidade.
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Marla de Queiroz

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A Poeta Descalça


É na poesia que me entrego,  me desnudo, visto o corpo das palavras com meus poros. Por isso, no palco, meus pés descalços, minha alma em brasa, meus olhos vivos, coração que palpita asas, meu frio na barriga.

É na minha prosa que me reconheço, me destrincho, amanheço. Visto o corpo das palavras com a minha pele. Por isso, no palco, meus pés inquietos criando passos, minha alma em brisa, meus olhos abertos, coração taquicardíaco, o tremor nas mãos, a emoção precisa.

É na minha entrega que meus textos nascem, minha honestidade num suspiro. Por isso, no palco, minha voz imposta criando a respiração das frases, minha alma vibra, olhos que salivam, coração criando fôlego, minha energia derramando água doce, sal de mar e sangue... Tudo que meu corpo necessita.
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Marla de Queiroz!


P.S.: 
Amores!!!!!!!!
HOJE!!!!!!!!!!!!!!!Dia 30/01/12, eu e o meu querido e amado amigo e poeta Sérgio Gramático Júnior, vamos inaugurar um evento de poesia mensal NOSSO! Além da apresentação de nossos poemas, disponibilizaremos o microfone aos que quiserem mostrar o seu trabalho.Adoraria poder contar com a presença e o apoio de vocês.
Onde? Espaço Cultural Correia Lima (Bento Lisboa, 58) - Catete-RJ
Quando? 30/01/12, sergunda feira,a partir das 19:30h!
Quanto? R$ 5,00 a entrada.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Sob o sol de São Paulo


Eu vejo a cidade com outros olhos agora: não reconheço nada, eu vejo com olhos que veem como se fosse a primeira vez, com o mesmo espanto primordial de uma criança que descobre o mundo. Eu, quando me ofereci para visitá-lo, talvez quisesse reparar aquele abraço que nunca te envolveu completamente. E você, finalmente, pôde tomar conta dos meus pesadelos. E impediu que me fizessem mal naquela hora em que me apertou forte durante os meus espasmos_ eu tão assustada naquela caverna triste, úmida e escura, acordei num abraço quente, naquela cama macia. (Foi quando tive a certeza de que sou a minha bagagem e de que ela é metafísica, independente da geografia).
Quando tirei aquelas fotos, saturei as cores do nosso amor opaco, mas nada estava insuficiente. Embora eu sempre fosse seduzida pelo que há de mais fosforescente... Mas pude brincar nos faróis fechados e adentrar todas as portas que você abriu para mim. E achei tão bonito que alguém pudesse morar na Rua Simpatia, esquina com a Harmonia: quanta delicadeza guardada num endereço.
Quem sabe eu possa congelar nossa alegria, um dia, num porta-retrato. E você vai me reconhecer mergulhada no azul piscina com o biquíni azul e a aura ensolarada.
E mais uma vez, eu estava com as minhas malas prontas e fechadas. E você se despediu por longos quinze minutos e eu consegui dormir durante breves seis horas.
Quando voltei para a minha rotina corrida, nada mais incomodava. A cidade estava sonolenta, a casa aquecida, os móveis intactos, as ruas varridas e poucos amigos para partilhar_ aprendi que devo ter os meus segredos. Mas a sacola de livros aumentou de peso e as histórias que me interessavam mudaram de tom. (Lembro que você me disse que das músicas que ouvimos, eu presto atenção nas letras e você no som).
Mas eu queria te contar, se é que você já não sabe, que as minhas certezas sobre nós dois não mudaram, estão na mesma gaveta, talvez guardadas num vídeo-poesia, na sua taquicardia, na minha hora do chá, nas tardes de nostalgia, nos sentimentos que ficaram estagnados nos meus parágrafos sem lugar. E que hoje eu amanheci mais bonita e caminhei debaixo do dia líquido, sem guarda-chuva, quase descalça, leve, disposta, sem procurar respostas. E quando eu leio que Henry Miller fez tanto a Anais Nin sofrer, gosto de não querer mais, por enquanto, o que é arrebatador.
Perdoa eu ter escrito tanto sobre o meu novo olhar sobre a cidade e outras coisas diversas, eu sei que você esperava que eu falasse mais de amor.
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Marla de Queiroz

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Colcha de retalhos tecida sobre os relatos de alguns dos meus leitores...


 Desconheço o autor da foto

Queria poder escrever sobre a casa amarela que implodiu um coração e soterrou nela a crueldade disfarçada de amor de quem a construiu. Queria poder escrever sobre o amor desbotado que não sobreviveu às paredes pintadas e aos móveis caros. Queria poder escrever sobre o azul dos olhos molhados de mar do menino que contempla a grandiosidade das águas salgadas em suas fotos rasgadas. Queria poder escrever sobre a artista que borda delicadezas ao redor de personagens clássicos e os adorna com poesia, mas que tem a melancolia como sua grande meta a ser vencida. Queria poder escrever sobre a separação desastrada de um casal que ainda se amava e precipitou uma bifurcação em suas novas estradas. Queria poder escrever sobre a menina que desabrochou sua sexualidade da maneira mais pura e genuína e descobriu tanto prazer que agora desenha versos em seus comentários diversos. Queria poder escrever sobre o abraço que eu não te dei. Queria poder escrever sobre o e-mail desesperado que pedia conselhos sábios e que não pude responder com meus conhecimentos flácidos sobre os amores idos. Queria poder escrever sobre as saudades que invadem pensamentos na hora mais bonita da tarde. Queria poder descrever o sabor daquele beijo roubado. Queria poder escrever sobre a tentativa de esquecer que um novo ano começou e que ainda nada, absolutamente nada mudou. Queria poder escrever sobre a sua agonia de estar apaixonado pela sua melhor amiga. Queria poder escrever a palavra escondida para desatar o nó que não te deixa descomplicar tua vida. Queria poder escrever até amenizar tua vontade de estar comigo. Queria poder escrever sobre o teu romance clandestino e virtual, sobre o teu desejo de viver um sonho real, sobre a tua capacidade de chorar nas entrelinhas de um bilhete colorido. Queria poder escrever a minha vontade de conhecer além do avatar de tantos e tantos amigos. Queria poder escrever sobre o que não pôde ser escrito. Queria poder consertar, encher de alegria e renovar tantos corações partidos.
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Marla de Queiroz

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Gratidão eterna!



Meus amores. Ontem eu completei 1.728 luas. E vocês encheram o meu dia de luz. Pude sentir a vibração de amor de cada um e passei a madrugada lendo TODAS as mensagens. E foram muitas, muitas mesmo. Eu, sinceramente, não sei como agradecer esse derramamento de boas energias... o que posso fazer é desejar que vocês tenham uma vida tão plena de tudo que é tão maravilhoso e que desejo para mim também. Inspiração para a vida, criatividade para encontrar caminhos até então inexistentes, muita sabedoria para conduzir as coisas, um coração sossegado, uma alma livre, uma mente aberta, uma sensibilidade aflorada, generosidade para estender a mão para o outro, capacidade de perdoar a si e a todos, força para não se deixarem ferir, disposição para serem produtivos e alegres. Estejam inteiros, libertem-se de quaisquer coisas que amarrem seus sonhos. Sejam originais, não temam o que os outros vão pensar se forem exuberantes e brincarem. Divirtam-se sem fogos de artifícios. Façam da felicidade um ofício, uma represa. Vocês podem jorrar de entusiasmo, vocês podem conquistar qualquer coisa com abundância desde que seus desejos sejam justos. Vivam com honestidade e transparência apesar da malícia de alguns, da maldade de outros, contaminem com o otimismo, não se deixem ser contaminados pelo pessimismo. Ditem suas próprias regras do jogo, não joguem, seduzam só o que lhes interessar, não economizem elogios, julguem a ação, não a pessoa inteira_ não sejam críticos demais. Lembrem-se do dinamismo de tudo, da mudança perene. Sejam gratos, reclamem menos, percebam as conquistas diárias, valorizem-se! Respeitem, cobrem o mesmo. Busquem assertividade e posicionamento sem agressividade. Aprendam a receber amor, a pedir ajuda, a doar sem doer. Ensinem o que aprenderem de positivo. E sejam tão felizes, meus amores, tão amados, tão desapegados do sofrimento, tão inteligentes a ponto de se darem mordomias emocionais quando estiverem melancólicos. Apaixonem-se, façam sexo com verdade e vontade, sejam boas companhias para si mesmos, se estiverem em solitude, aproveitem para crescer e fazer por vocês o que gostariam que outros fizessem. Não celebrem a vida só em datas comemorativas. Nós temos uma dádiva nas mãos. E somos muito maiores do que o nosso tamanho. Então... tudo é possível nesta Dança do Universo!
Tanto amor, todo amor, muito amor...Tudo é sempre muito, sempre tanto entre a gente. E eu amo esta NOSSA entrega e este nosso afeto lindo!

OBRIGADA PARA SEMPRE!

Agora vamos nos abraçar?
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Marla de Queiroz

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Tempo de Amorosidade



Desconheço o autor do desenho

Natal é o tempo em que todo o amor guardado dentro de nós pede para ser derramado em forma de reconciliação, ternura, perdão. É quando a gente confraterniza tudo que construímos no ano que passou e repensamos o que poderemos acrescentar no ano que nascerá. Façamos de todas as nossas experiências anteriores, aprendizados para o nosso melhoramento amoroso como pessoa, para que nosso abraço se alargue do tamanho do horizonte, para que possamos ser gratos pela vida com suas belezas e adversidades e que possamos cumprir nossa missão nesta existência, sendo uma presença de luz, compreensão, paciência. Sejamos mais tolerantes e olhemos para o outro, mesmo com todas as suas diferenças, como uma extensão bonita de nós mesmos. Que exista amparo em nossas palavras e delicadeza em nossos gestos para que possamos contribuir com um mundo maior em alegria e esperança. Que nossos problemas sejam sempre menores que as soluções e que sejamos do tamanho dos nossos sonhos. Que a bondade esteja em nós, que a generosidade habite nossos corações e nossas vidas e que o entusiasmo guie nossos passos e nossas ações. Que não tenhamos que esperar o Natal ou o Ano Novo para festejar nosso dia a dia, mas que vivamos de tal forma que tudo em nós seja abundante amorosidade para que possamos sempre estender a nossa mão àqueles que precisarem do nosso acolhimento.
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Marla de Queiroz