segunda-feira, dezembro 17, 2007

Amistosidade



Foto: Maria Flores



Porque você enterneceu uma noite tão escura com tua voz mansa e teu jeito de entender dramas. E fez uma melodia pro meu poema mais desamparado: tudo era rascunho de alguma coisa fria até você agasalhá-lo...E me explicou porque não fomos tudo aquilo que poderíamos ter sido: naquele momento eu também não estava pronta. Mas me surpreendeu quando não propôs nenhuma mudança brusca e expôs com tanta honestidade a negligência que veio do teu medo: pela primeira vez não havia maquiagem em teu discurso.

O que acontece é que o tempo se apossou do que havia. (Foi quando pude te explicar que as minhas expectativas não eram exigências). Hoje em dia, depois de tanta história não acontecida, sobrou amizade, saudade, respeito. Já que fomos tão inábeis para o amor, restou enfim, essa ternura encabulada e nossas conversas pela madrugada numa hora em que a saudade nos constrói as frases com todos os adjetivos mais suaves para não espantar o sono. E a consciência de que não há mais tempo para usufruir o que não foi aproveitado a tempo. (Por isso choramos apenas por dentro sem deixar que nossa voz denuncie nosso olhar raso de esperas intactas). Por isso tanta doçura nas palavras pra não ferir ainda mais essa melodia frágil e cheia de melancolia. E essa tentativa de que o abraço, apenas escrito, tenha outras formas de tocar. Porque queríamos a mesma coisa, exatamente o que nos faltava e que não soubemos porque não tínhamos para dar.


Seguimos, ainda assim, unidos_ não por sentirmos o mesmo amor, mas por compartilharmos aquela mesma solidão.

*

*

Marla de Queiroz

24 comentários:

Anônimo disse...

Marla...
É estranho e até engraçado, que por muitas vezes venho aqui e descubro como definir exatamente coisas que estou vivendo.
Você é a mestra em nomear todas essas coisas invisíveis que se "constroem" ou não entre as pessoas.
Nunca nos poupe de suas palavras...
São necessárias e vitais.
=)
Mt axé pra ti!
beijinhus!

Anônimo disse...

Quanta coisa contada por suas palavras, tão bem li(da)s e emocionadas. Porque há tanto emoção dilatada em seu caminho. E muitos rabiscos, arranhando sua emoção. Você nem precisa de mais um elogio, porque são tantos, multiplicados todos os dias, mas não dá para não declamar um verso teu, feminino, alma da que o desejo lambeu.

Escritora, tem excelência o que você escreve, e muita texto em seu caminho.

Mais uma vez.

eliz

Anônimo disse...

Quanta coisa contada por suas palavras, tão bem li(da)s e emocionadas. Porque há tanto emoção dilatada em seu caminho. E muitos rabiscos, arranhando sua emoção. Você nem precisa de mais um elogio, porque são tantos, multiplicados todos os dias, mas não dá para não declamar um verso teu, feminino, alma da que o desejo lambeu.

Escritora, tem excelência o que você escreve, e muita texto em seu caminho.

Mais uma vez.

eliz

Anônimo disse...

Quanta coisa contada por suas palavras, tão bem li(da)s e emocionadas. Porque há tanto emoção dilatada em seu caminho. E muitos rabiscos, arranhando sua emoção. Você nem precisa de mais um elogio, porque são tantos, multiplicados todos os dias, mas não dá para não declamar um verso teu, feminino, alma da que o desejo lambeu.

Escritora, tem excelência o que você escreve, e muita texto em seu caminho.

Mais uma vez.

eliz

Daniely disse...

Que lindo....teu texto é me música que me faz dançar...
=)

Cássio Amaral disse...

Muito bom texto.

Sou inapto para o amor também acho, amo demais e aí tu sabes, o que me dissestes aí em janeiro. O trem descarrilha. Amor paixão é sempre assim.

Beijabraços.

Cássio Amaral.

Pendréz Mentos disse...

bom o blog..
parabéns!!!
=D

Eduardo Franciskolwisk disse...

achei o texto pesado, mexe pra valer com a emoçao. E por isso acho que vc tem talento. Gostei!

Beijos

se quiser, vai no meu: http://franciskolwisk.blogspot.com/

Clóvis Struchel disse...

"acabo de comprar uma tv a cabo, de acabo de de comprar a solidão acabo..."


lembrei-me dessa canção do otto, nenhuma referência clara com o texto, mas restou-me essa imagem solitária de ambos em suas vidas meio cinzas, com prenuncio de novos ares.


Beijo, amiga sumida que abandona este poeta que vos diz!
Amo!

Clóvis Struchel disse...

"acabo de comprar uma tv a cabo, acabo de comprar a solidão acabo..."

pronto.

A Autora disse...

Marlinda
talvez "vocês" não sejam um casal vulgar...assim como Pessoa e Ofélia...lindas palavras como sempre...gostei de pensar nas minhas esperas intectas...
beijos
por que andas tão sumidas de mim?????em janeiro estarei em tua terra com calma, nao apra congressos ou trabalhos,na correria, mas para passear e se tudo der certo te conhecer ou não????saudades
Carol Montone

Anônimo disse...

Marla,
De tanta emoção esse texto, sentidos traduzidos em palavras, a gente passa por isso mas poucas pessoas sentem a vida assim poetizada! Me senti dentro de cada palavra... esse desencontro cúmplece... verdadeiro! Perfeito, parabéns.

Leio sempre o seu blog, é apaixonante!
bjos

. fina flor . disse...

sei como é essa sensação de ter o tempo se apossando das cousas.

flor, estou passando, hoje, para deixar meu beijo de fim de ano e dizer que desejo os melhores aromas, amoras, amores, brilho e brisa para o ano que está para acontecer.

até,

MM.

ps: obrigada por ter alegrado meus dias...........

Anônimo disse...

Putz...

Ahn...
Vivo algo parecido, nem sei...
O seu poste doeu, foi duro..
Tenho algo na garganta que não quer descer...

Mas foi bonito por ser sincero

Anônimo disse...

Afff... nossa... hummmmmm...

O Profeta disse...

Para ti que me visitaste
Ao longo destes poucos meses
Ofereço-te uma prenda singela
Uma estrela de mil cores

Roubei-a ao firmamento
Deposito-a na tua mão
Para que neste Natal
Te ilumine o coração

Um Santo e Mágico Natal


Doce beijo

Mustafa Şenalp disse...

very nice a blog :)

Anônimo disse...

(suspiros)...


Vc encanta, Marla.


Beijo e um Feliz Natal!

Bb (www.bblinda.blogger.com.br)

Paula Calixto disse...

O tempo sempre se apossa do que havia e há. E quando isso ocorre, só o Amor pode preencher a solidão porque algo tem que "vencer" - ocupar - a falta.

Beijos e se eu não vier aqui esses dias: UM FELIZ NATAL!!!

Thiago Forrest Gump disse...

O que dizer?

Belo, belíssimo texto!

Anônimo disse...

Cuidar e permitir o amor. Ter paz ser zen. E amar.
Bom natal - Grande Virada. 2008 - Lá vamos nós. Beijo, poeta! Riodaqui aí ~~~~~~

Anônimo disse...

Mulher, que lindo!!!
É a cara lavada do sentimento exposto...nossa, vai saber mexer com as palavras assim ao longe.
bjos Catinha

Lelê Teles disse...

Como eu queria ser um verso teu, só pra ter a pretensão de ser uma coisa acabada, lírica e linda.

fake rolex disse...

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A poesia acontece quando as palavras se abraçam...