Toda loucura, quando canalizada para a arte, vira sensibilidade exacerbada. Mas, queria dizer a vocês que tenho entristecido pessoas e que nunca agi como estou agindo... Não tenho sido grosseira, mas tenho precisado tanto refletir sobre o meu novo ciclo que me tornei indisponível e intolerante para a dor do outro. Estou ressecada por dentro, não tenho o que dar agora, e quem sempre teve de mim os melhores frutos, fica magoado por esta ausência. Sou tão humana quanto vocês e , às vezes, preciso de porres homéricos pra sobre-viver. Ou de silêncios intactos. Ou de muita abstinência.
A única coisa que sei é que dias ensolarados virão. Mas enquanto eu sentir dor no peito, terei muito respeito por esta dor no peito, sem apegos, só por pura consciência de que a vida é cíclica e de que senti-la é a única forma de entender a dor alheia (matéria de poesia é isto também). E que eu tenho a ajuda de que preciso. Mas preciso sentir. Então, enquanto eu não arrumar minha casa de dentro, não escreverei aqui minha tristeza, minhas angústias: estas estão em mim, mas ainda não se organizaram em palavras.
Então, apenas respeitem meu processo. Eu adoraria escrever um texto por dia. Mas isto não depende de um estado emocional, mas de palavras que se oferecem.
P.S.: Que delícia de abraço vocês têm...não economizem qualquer manifestação de afeto.
Marla de Queiroz




